Israel aprova construção de 19 novos assentamentos na Cisjordânia, elevando o total para 210 e gerando controvérsia internacional.
Em uma decisão que reacende as tensões na região, Israel aprovou a construção de 19 novos assentamentos na Cisjordânia, território palestino ocupado desde 1967. O anúncio, divulgado neste domingo, eleva o número total de assentamentos para 210, um aumento significativo que visa expandir a ocupação israelense.
Esta medida, amplamente considerada ilegal pelo direito internacional, representa mais um obstáculo para a criação de um Estado palestino independente. Organizações como a ONU já expressaram preocupação com o impacto desses assentamentos na viabilidade de uma solução de dois Estados.
A aprovação dos novos assentamentos ocorre em um momento delicado, com os Estados Unidos pressionando por um cessar-fogo em Gaza e buscando um caminho para a paz. Conforme informação divulgada pelo g1, a decisão do gabinete israelense inclui a legalização retroativa de alguns postos avançados já existentes e a criação de novos em terras de onde palestinos foram evacuados.
Expansão recorde e histórico de desmantelamentos
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, figura central na promoção da agenda de colonização, destacou que o número de 69 novos assentamentos aprovados nos últimos anos representa um novo recorde. Entre as novas construções, estão dois locais de onde colonos foram retirados à força em 2005, como parte do cumprimento dos Acordos de Oslo.
A política de expansão dos assentamentos sob o governo de Benjamin Netanyahu tem sido notória. Em 2022, a Cisjordânia contava com 141 assentamentos. Após a última aprovação, esse número saltou para 210, segundo dados do grupo de monitoramento Peace Now.
Impacto na solução de dois Estados e violência crescente
A expansão dos assentamentos é vista como um golpe direto contra as aspirações palestinas por um Estado próprio. A legalização de postos avançados e a criação de novas comunidades em áreas de onde palestinos foram removidos intensificam a preocupação com a fragmentação territorial.
Essa onda de aprovações para a construção de assentamentos acontece em paralelo a um aumento preocupante da violência contra palestinos na Cisjordânia. Durante a colheita de azeitonas em outubro, colonos israelenses foram responsáveis por uma média de oito ataques diários, o maior número registrado desde 2006, segundo o escritório humanitário da ONU.
Relatos indicam que colonos queimaram carros, profanaram mesquitas, saquearam fábricas e destruíram plantações, com pouca ação das autoridades israelenses para conter os atos.
Confrontos e mortes na Cisjordânia
No último sábado, dois palestinos, incluindo um jovem de 16 anos, foram mortos em confrontos com o Exército israelense no norte da Cisjordânia. O Ministério da Saúde palestino identificou as vítimas como Rayan Abu Muallah, de 16 anos, e Ahmad Ziyoud, de 22.
O Exército israelense afirmou que um “militante” foi morto após atirar um bloco de concreto contra tropas em Qabatiya, e outro foi alvejado após lançar explosivos em Silat al-Harithiya. Imagens de segurança divulgadas pela mídia palestina mostram o jovem de 16 anos se aproximando de soldados sem portar armas e sendo atingido.
As operações militares israelenses na Cisjordânia foram intensificadas desde outubro, período em que um cessar-fogo em Gaza entrou em vigor. A situação na região permanece tensa, com a expansão dos assentamentos agravando o cenário de instabilidade e dificultando os esforços pela paz.