quinta-feira, junho 4, 2026

Jeffrey Epstein CPF Brasil ativo, emitido em 2003, aparece em arquivos do Departamento de Justiça dos EUA e bilionário discutiu cidadania brasileira em e-mails de 2011

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Arquivos públicos dos EUA indicam que o CPF de Jeffrey Epstein está ativo desde 2003, com dados pessoais e menção a conversas sobre cidadania brasileira em 2011

Novos arquivos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos citam um CPF brasileiro associado a Jeffrey Epstein, e a informação despertou atenção por relacionar dados fiscais a um caso internacional de grande repercussão.

O cadastro aparece em uma lista de documentos apreendidos nos EUA, em uma pasta denominada “Arquivos diversos”, vinculada ao bilionário acusado de tráfico sexual e outros crimes.

O g1 confirmou que o CPF foi emitido em 2003 e segue em situação regular, com a data de nascimento do bilionário, 20 de janeiro de 1953, registrada no cadastro, conforme informação divulgada pelo g1.

Registro do CPF no Brasil

Segundo a checagem do g1, o CPF ligado a Jeffrey Epstein foi realmente inscrito na Receita Federal em 2003, e a situação cadastral aparece como regular no sistema, emitido em 2003 e ainda com situação regular.

A presença do CPF em documentos do Departamento de Justiça levanta questões sobre por que o bilionário, que não residia no Brasil, buscou esse registro, e quais vínculos, se houveram, ele manteve com pessoas ou bens no país.

Fontes oficiais lembram que a Receita Federal permite inscrição de estrangeiros no CPF, e que há regras específicas para medidas relativas ao CPF de pessoas falecidas, como inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor legal quando houver bens a inventariar, ou cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão por morte quando não houver bens a inventariar no Brasil.

Cidadania brasileira e e-mails de 2011

Documentos também mostram uma troca de e-mails entre Jeffrey Epstein e a empresária Nicole Junkermann, datada de outubro de 2011, em que ela pergunta se ele havia considerado obter cidadania brasileira.

Na mensagem, Epstein respondeu, “Ideia interessante, mas os vistos podem ser um problema ao viajar para outros países”, e, segundo os registros, os dois chegaram a se encontrar no Ritz, hotel da rede The Ritz-Carlton.

Essas comunicações constam entre os arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça, e reforçam que a possibilidade de naturalização foi ao menos considerada pelo bilionário.

O que diz a Receita Federal

A Receita Federal informou que a possibilidade de um estrangeiro solicitar inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) está prevista na Instrução Normativa 2.172/2024, e que o pedido pode ser feito pela própria pessoa ou por procurador, sem comentar o caso específico de Epstein.

O órgão destacou também que qualquer medida relacionada ao CPF de uma pessoa estrangeira falecida depende de pedidos feitos por inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor legal, ou por cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão por morte, conforme a situação sobre bens a inventariar.

Contexto do caso Epstein

O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein tramita há anos na Justiça americana, com as primeiras denúncias formais surgindo em 2005, quando a polícia de Palm Beach investigou abusos sexuais de menores.

Em 2008, Epstein se declarou culpado pelo crime de exploração de menores e firmou um acordo para cumprir 13 meses de prisão e pagar indenizações às vítimas, e, em 2019, um juiz distrital da Flórida considerou o acordo ilegal.

Em julho de 2019, Epstein foi preso e formalmente acusado de abuso de menores e de operar uma rede de exploração sexual, e o governo dos EUA afirmou que o bilionário explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade.

Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019, e a autópsia concluiu que ele tirou a própria vida, e, dois dias antes de morrer, assinou um testamento deixando um patrimônio avaliado em mais de US$ 577 milhões.

Após a morte do empresário, as acusações contra ele foram retiradas, mas promotores disseram que poderiam buscar responsabilizar outras pessoas envolvidas, e advogados das vítimas prometeram continuar a busca por indenizações na Justiça.

Implicações e dúvidas abertas

A presença de um CPF ativo de Jeffrey Epstein no Brasil não prova, por si só, vínculo de residência, e a legislação permite inscrições para estrangeiros, entretanto, os arquivos do Departamento de Justiça abrem caminho para perguntas sobre contatos, movimentações financeiras e eventuais bens relacionados ao esquema que envolveu o bilionário.

Especialistas ouvidos por veículos que cobriram o caso afirmam que documentos apreendidos nos EUA podem ajudar a mapear redes, conexões e fluxos que, até então, estavam pouco esclarecidos, inclusive em âmbito internacional.

A apuração sobre o CPF e as comunicações com figuras internacionais como Nicole Junkermann reforça a necessidade de cruzamento de documentos e cooperação entre autoridades, para apurar se existiram operações ou patrimônios ligados ao Brasil.

O público interessado em detalhes sobre o caso e em futuras atualizações deve acompanhar novas liberações de arquivos e posicionamentos oficiais, e consultar relatórios e fontes primárias à medida que surgirem.

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