Jeffrey Epstein CPF Brasil ativo, registro de 2003 confirmado na Receita Federal e e-mails de 2011 citam interesse em cidadania brasileira em arquivos dos EUA
Novos arquivos do Departamento de Justiça dos EUA citam o CPF de Jeffrey Epstein no Brasil, com data de emissão em 2003, dados de nascimento e indícios de conversas sobre cidadania, levantando dúvidas sobre motivos e implicações
Documentos recentemente divulgados nos Estados Unidos incluem menção ao cadastro tributário do bilionário no Brasil, e a existência do número foi verificada junto à Receita Federal.
O registro aparece em uma pasta chamada “Arquivos diversos” sobre Jeffrey Epstein, entre arquivos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA, e traz dados pessoais que constam no CPF consultado.
As informações, que incluem ano de emissão e situação cadastral, foram confirmadas em consulta ao sistema da Receita Federal, conforme informação divulgada pelo g1.
O que os documentos mostram
O g1 confirmou que há um CPF em nome de Jeffrey Epstein, com emissão em 2003, e que o cadastro está em situação regular. O documento também traz a data de nascimento do bilionário, 20 de janeiro de 1953.
Uma imagem dos registros apresenta a anotação “Situação cadastral do CPF de Jeffrey Epstein. Consulta feita em 12 de fevereiro de 2026, às 10h48”, que corrobora a verificação recente junto ao sistema da Receita Federal.
Posição da Receita Federal
A Receita Federal informou que estrangeiros podem solicitar inscrição no CPF, e que essa possibilidade está prevista na Instrução Normativa 2.172/2024. O órgão não comentou o caso específico, mas detalhou os procedimentos para inscritos estrangeiros.
O órgão também explicou que, no caso de pessoa estrangeira falecida, qualquer medida relacionada ao CPF só pode ser solicitada por inventariante, cônjuge, companheiro, sucessor legal, ou por parente ou beneficiário de pensão por morte, dependendo da existência de bens a inventariar no Brasil.
Conversa sobre cidadania e contexto do caso
Em troca de e‑mails de outubro de 2011, a empresária Nicole Junkermann perguntou a Epstein se ele havia considerado obter cidadania brasileira. Segundo os documentos, Epstein respondeu, “Ideia interessante, mas os vistos podem ser um problema ao viajar para outros países”, e ambos se encontraram no Ritz no mesmo dia.
O contexto carregado do caso deve ser lembrado, pois Epstein foi alvo de investigações e processos nos EUA por abusos e tráfico sexual. As primeiras denúncias formais surgiram em 2005, e ele se declarou culpado em 2008 por exploração de menores, cumpriu pena e, em 2019, foi preso novamente por acusações federais.
Segundo a acusação, entre 2002 e 2005, Epstein pagava centenas de dólares para que meninas fossem até seus imóveis e realizassem atos sexuais, e, de acordo com o governo dos EUA, o bilionário “explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade”. Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019, e, dois dias antes, “assinou um testamento deixando um patrimônio avaliado em mais de US$ 577 milhões”, conforme informação divulgada pelo g1.