quinta-feira, junho 4, 2026

Jenga, a história completa: como Leslie Scott transformou blocos de Gana em sucesso global, o jogo de 54 blocos e os cerca de 100 milhões de unidades vendidas

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Da infância em Gana às prateleiras do mundo, a trajetória de Leslie Scott e a criação de Jenga, o jogo de 54 blocos que virou fenômeno e vendeu cerca de 100 milhões de unidades

Jenga nasceu de uma brincadeira doméstica, com peças simples e regras diretas, e se tornou um dos jogos de tabuleiro mais conhecidos no mundo.

A proposta é simples, cada jogador retira um bloco e o coloca no topo até que a torre deixe de suportar o peso, e a gravidade determine o fim da partida.

O caminho de brinquedo caseiro a sucesso comercial incluiu tentativas frustradas, empréstimos e um acordo inesperado no Canadá, conforme informação divulgada pelo g1

Como nasceu o jogo

Leslie Scott passou a infância no leste da África e, já em Gana, brincava com sobras de madeira de serraria que se transformaram no protótipo do jogo.

Na infância, a família competia em pequenos jogos o tempo todo, e essa cultura de brincadeira deu origem à ideia de empilhar e retirar blocos, mecanismo que define o jogo hoje.

Segundo Scott, Somos uma família muito competitiva, no sentido de que, em qualquer reunião, acabávamos jogando algum jogo, frase dita ao programa Witness, da BBC.

Regras e elementos essenciais

O jogo é composto por 54 blocos, todos do mesmo tamanho, empilhados em camadas de três, formando uma torre regular no início de cada partida.

Cada turno consiste em retirar um bloco de qualquer camada que não desestabilize a torre, e posicioná-lo no topo, mantendo o padrão de três blocos por camada.

O jogo termina quando a torre desmorona, e o jogador que causou a queda perde, restando ao vencedor a constatação de que a gravidade foi quem decidiu.

Da ideia ao mercado, erros e aprendizagem

Depois de voltar ao Reino Unido, Scott levou caixas com o jogo para eventos e feiras, mas a primeira participação na Feira do Brinquedo de Londres, em 1983, não gerou pedidos, e ela considerou o episódio um fiasco comercial.

Com pressões financeiras, ela pediu empréstimos pessoais e usou a casa da mãe como garantia, e precisou diversificar, criando outros jogos para construir um portfólio mais atraente a compradores.

Scott lembra, Não era para aquilo ser o centro das atenções, mas foi o que mais ficou na memória das pessoas: meu jogo de blocos, relato feito em entrevista que ganhou cobertura da BBC.

O nome, o acordo no Canadá e o salto para o mundo

Um ponto decisivo aconteceu quando um contato no Canadá apresentou o jogo a executivos da Irwin Toy, que demonstraram interesse em licenciar o produto.

A empresa não gostava do nome proposto, mas Leslie Scott manteve sua posição, dizendo Eu simplesmente disse que não podia permitir que mudassem o nome, Tinha de ser ‘Jenga’, referência ao suaíli kujenga, que significa construir.

Ao ceder no resto, e preservar o nome, Scott fechou o caminho para que o jogo se tornasse comercialmente viável, e aos poucos a popularidade se espalhou por lojas e eventos internacionais.

Legado e números

Hoje, o jogo figura no National Toy Hall of Fame dos Estados Unidos, e é lembrado como exemplo de produto simples que ganhou apelo global.

O título já foi comercializado em escala maciça, com cerca de 100 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, informação mencionada nas reportagens sobre a trajetória do jogo.

Além de Jenga, Leslie Scott projetou e lançou mais de 40 jogos, e a história do brinquedo ilustra como uma ideia caseira pode virar sucesso, com persistência, mudanças estratégicas e um pouco de sorte.

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