Da brincadeira com sobras de serraria no leste da África, passando pela Feira do Brinquedo de Londres, até a licença com a Irwin Toy no Canadá, conheça a trajetória completa de Jenga
Jenga nasceu de uma brincadeira familiar com blocos de madeira que Leslie Scott guardou ao deixar Gana, e aos poucos se transformou em um dos jogos mais vendidos do mundo.
Aos poucos, a simplicidade do tabuleiro caseiro virou um produto, com altos riscos financeiros, um nome disputado e uma saída comercial inesperada que mudou tudo.
Os detalhes a seguir mostram as decisões de Scott, dados sobre o jogo e frases que marcaram a história, conforme informação divulgada pela BBC.
Origem simples, regras claras
São 54 blocos de madeira, todos do mesmo tamanho, que devem ser empilhados horizontalmente sobre uma superfície plana, em grupos de três, para formar uma torre. Cada jogador retira um bloco e o coloca no topo até a torre cair, e quem provoca a queda é o perdedor. A fórmula é direta, e a força que decide o vencedor é a gravidade.
Leslie Scott passou a infância no leste da África, e, em Gana, brincou com sobras retangulares de uma serraria, que ela e os irmãos transformaram em um jogo de empilhar, tirando um e colocando por cima, que foi descrito como a primeira versão da brincadeira.
Sobre a dinâmica familiar, Scott disse, “Somos uma família muito competitiva, no sentido de que, em qualquer reunião, acabávamos jogando algum jogo”.
Da mudança para o Reino Unido ao momento eureka
Ao se mudar para o Reino Unido, Scott levou caixas com seus jogos de infância. Nos anos 1980, durante um evento de arrecadação em Oxford, o seu jogo de blocos chamou mais atenção do que artistas contratados, e ali ela percebeu o potencial comercial da criação.
Decidida a transformar o passatempo em produto, Scott buscou financiamento, pedindo empréstimos e contando com a casa da mãe como garantia, e conseguiu produzir unidades para apresentar na Feira do Brinquedo de Londres, em 1983.
Do ponto de vista comercial, a estreia foi desanimadora, sem encomendas apesar do interesse, e a experiência levou Scott a diversificar e criar um portfólio de jogos para reduzir o risco do negócio.
Negócio, nome e o acerto com a Irwin Toy
Os anos seguintes foram difíceis, com prejuízos e concorrência dos videogames, até que um convite para demonstrar o jogo em um shopping no Canadá mudou o rumo. Um executivo da maior fabricante de brinquedos do país, a Irwin Toy, viu o jogo e levou-o à diretoria.
A Irwin Toy gostou do jogo, mas não do nome, e Scott não abriu mão. Ela relatou a negociação, “Eu simplesmente disse que não podia permitir que mudassem o nome. Tinha de ser ‘Jenga’.”
O nome vem do suaíli, idioma que Scott aprendeu no leste da África, e da palavra kujenga, que significa “construir”, e também de Kucheza, nome do cachorro da mãe que significa “jogar” em suaíli, razões que fizeram Scott insistir na escolha.
Popularidade, reconhecimento e legado
Com o acordo de licenciamento, as vendas cresceram, e hoje o jogo alcançou um patamar reconhecido mundialmente, com, com cerca de 100 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, conforme registrado pela reportagem original.
Scott conseguiu quitar dívidas, e o jogo entrou no National Toy Hall of Fame dos Estados Unidos, um reconhecimento a brinquedos que mantêm popularidade ao longo do tempo.
Desde então, Leslie Scott projetou e lançou mais de 40 jogos, e sua trajetória ilustra como uma ideia simples, persistência e uma aposta no nome certo podem transformar um passatempo em um fenômeno global.