João Carlos Mansur, ex-executivo e fundador da Reag, investigado na 2ª fase da Operação Compliance Zero, entenda as acusações envolvendo o Banco Master e bloqueios da PF
Investigação aponta suposto esquema de captação, aplicação em fundos e desvio de recursos para o patrimônio de integrantes do Banco Master, com mandados e apreensões em vários estados
João Carlos Mansur aparece como um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 14, em investigações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
A ação envolveu buscas em endereços vinculados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e a seus familiares, além de empresários como Nelson Tanure, e resultou em bloqueios e apreensões de bens e valores.
Conforme informação divulgada pelo g1, a investigação apura a captação de recursos, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes, o que motivou a nova fase da operação.
Quem é João Carlos Mansur
Formado em ciências contábeis, Mansur fundou a Reag Investimentos em 2012 e traz cerca de 35 anos de experiência no mercado financeiro. Ele também atua como conselheiro independente autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, com atuação em gestão de carteiras.
No seu perfil profissional, Mansur afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento, incluindo Fundos de Investimento Imobiliário, Fundos de Investimento em Participações e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, além de participar de operações no mercado de capitais.
Trajetória profissional e passagens relevantes
Ao longo da carreira, Mansur trabalhou em empresas como PricewaterhouseCoopers, Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, contribuindo em projetos de grande porte, entre eles a criação do estádio Allianz Parque.
Ele também integrou a Trump Realty Brazil, joint venture criada em 2003 que utilizou a marca do então empresário Donald Trump, contrato que durou até 2006, quando o projeto não avançou para empreendimentos concluídos.
Ligações com investigações anteriores e renúncia na Reag
Em setembro do ano passado, Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag Investimentos, após a empresa ter sido alvo de uma grande operação da Polícia Federal relacionada ao Primeiro Comando da Capital, que levantou indícios de irregularidades em produção e distribuição de combustíveis e um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo fintechs e fundos.
Autoridades apontaram irregularidades em várias etapas do setor, e a saída de Mansur ocorreu em meio ao avanço das apurações, que mantiveram a Reag no centro de investigações sobre práticas no mercado financeiro.
O que a Polícia Federal cumpriu na operação
A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou diligências que incluíram, segundo a Polícia Federal, a determinação de 42 mandados de busca, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos bens de alto valor, como carros e relógios, e encontrado dinheiro em espécie contabilizado até o momento em R$ 97,3 mil em dinheiro vivo.
Os mandados foram executados em endereços de São Paulo, inclusive em localizações na Avenida Faria Lima, e também nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, com apreensões envolvendo documentos e dispositivos eletrônicos.
Consequências e próximos passos da apuração
Entre as medidas, a autoridade policial apreendeu o celular do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, como parte das diligências para rastrear comunicações e movimentações financeiras relacionadas ao caso.
O avanço da Operação Compliance Zero nesta segunda fase amplia o foco sobre estruturas de fundos e intermediações financeiras que teriam sido usadas para desviar recursos, e seguirá com análise de documentação e dados eletrônicos para confirmar ou descartar participação de envolvidos.
As investigações permanecem em curso e novas informações poderão surgir à medida que a Polícia Federal e o Ministério Público aprofundem a perícia em documentos e dispositivos apreendidos.