Joesley Batista: O Dono da JBS na Diplomacia Internacional, De Caracas a Washington, Desafiando Limites

Joesley Batista: O Homem Por Trás das Negociações Diplomáticas Internacionais

A recente viagem de Joesley Batista, um dos donos da JBS, à Venezuela para dialogar com Nicolás Maduro expõe o crescente papel do empresário nos bastidores da política internacional. A iniciativa, que busca uma transição pacífica de poder no país sul-americano, ocorre em um momento de alta tensão entre Caracas e Washington.

Batista agiu por conta própria, embora autoridades do governo dos Estados Unidos estivessem cientes de seus planos. O Palácio do Planalto não se pronunciou sobre o conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito do encontro, e a J&F, holding que controla a JBS, afirmou que Joesley Batista não representa nenhum governo.

Essa atuação de Joesley Batista como um ‘diplomata’ não oficial se insere em um contexto de complexas relações internacionais, onde interesses empresariais e geopolíticos se entrelaçam. Conforme divulgado pelo G1, o empresário tem se envolvido em articulações que vão além das fronteiras brasileiras, demonstrando uma faceta diplomática inesperada.

Joesley Batista e a Tensão EUA-Venezuela

A visita de Joesley Batista a Caracas ocorreu em 23 de novembro, poucos dias após uma conversa telefônica entre Nicolás Maduro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a agência de notícias Bloomberg, Batista teria defendido uma saída pacífica para a crise venezuelana. Essa ação acontece em meio a um endurecimento das relações entre os EUA e a Venezuela, com Washington acusando Maduro de chefiar o “Cartel de los Soles”.

Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o governo Maduro, considerando sua eleição em 2024 ilegítima devido a acusações de fraude. A presença militar americana no Caribe e no Pacífico Leste, com o envio do porta-aviões USS Gerald Ford e cerca de 15 mil militares, visa, segundo Washington, combater o tráfico de drogas. Maduro, por sua vez, nega as acusações e alega que os EUA buscam intervir para controlar o petróleo venezuelano.

O Empresário como Mediador em Crises

A atuação de Joesley Batista como mediador em cenários de tensão política internacional tem se tornado mais evidente. Em outubro, ele integrou a delegação empresarial que acompanhou o presidente Lula em sua viagem ao Sudeste Asiático, buscando alternativas em meio a um esfriamento nas relações com Washington. Esta viagem foi marcada pelo primeiro encontro entre Lula e Trump desde a imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

Apesar de não ocupar cargo público, Joesley Batista, que retomou sua posição de liderança na JBS após um afastamento em 2017, manteve contato com figuras do governo Trump para reverter as tarifas. Ele ficou afastado da direção da JBS por cinco anos, até 2024, como parte de um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, relacionado à Operação Lava Jato. Em setembro, o empresário esteve na Casa Branca para discutir o aumento de tarifas às exportações brasileiras, incluindo a carne bovina, que foram revistas em novembro.

Interesses da J&F na Venezuela e o Legado de Joesley Batista

Os interesses empresariais do grupo J&F na Venezuela também ganham destaque. A Âmbar Energia obteve autorização para importar eletricidade do país para Roraima, embora a operação não tenha avançado por questões técnicas. A Fluxus, outra empresa do grupo, abriu escritório em Caracas e prospecta reservas de petróleo há mais de um ano, segundo a Bloomberg, embora a J&F negue negócios em curso no país.

A relação entre a JBS e a Venezuela remonta a 2015, quando a empresa fechou um acordo de US$ 2,1 bilhões para fornecer carne bovina e de frango em um período de escassez de alimentos no país. O negócio envolveu autoridades venezuelanas de alto escalão. A trajetória de Joesley Batista e seu irmão Wesley é marcada pela expansão da JBS, com apoio do BNDES, e por seu envolvimento no cenário político brasileiro. A JBS foi a maior doadora em campanhas eleitorais em 2014.

O Escândalo da Delação Premiada e o “Joesley Day”

Em 2017, Joesley Batista protagonizou um dos maiores escândalos políticos do Brasil ao gravar uma reunião com o então presidente Michel Temer, como parte de seu acordo de delação premiada. O episódio, conhecido como “Joesley Day”, provocou uma queda histórica na Bolsa de Valores e gerou acusações de que Temer teria avalizado uma operação para comprar o silêncio de Eduardo Cunha. Temer negou as acusações, afirmando que a conversa se referia apenas à manutenção de uma amizade.

O empresário admitiu ter subornado centenas de políticos em troca de financiamento de bancos estatais e fundos de pensão. Apesar dos processos, Temer nunca foi condenado e muitos de seus casos foram arquivados. A subsidiária da JBS nos EUA, a Pilgrim’s Pride, fez uma doação de US$ 5 milhões para a cerimônia de posse de Trump, a maior quantia individualmente doada por uma empresa ao evento, conforme relatório apresentado à Comissão Federal Eleitoral.