quinta-feira, junho 4, 2026

Jornada de trabalho de quatro dias por semana na Holanda, como o país reduziu horas sem cortar salários e enfrenta dúvidas sobre produtividade e oferta de trabalho

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Empresas implantam a jornada de trabalho de quatro dias por semana com 32 horas semanais e sem corte salarial, enquanto economistas e sindicatos debatem impactos e limites

A adoção da jornada de trabalho de quatro dias por semana tem acontecido de forma discreta na Holanda, com empresas privadas testando rotinas mais curtas sem reduzir remuneração.

Negócios relatam queda nas licenças médicas, maior retenção de funcionários e melhora no equilíbrio entre vida e trabalho, ao mesmo tempo em que surgem alertas sobre crescimento da produtividade.

As informações foram compiladas a partir de reportagens e dados sobre a experiência holandesa, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funciona na prática

Muitos empregadores passaram a manter a carga em 32 horas por semana, com jornadas de oito horas em quatro dias, e sem diminuir salários, ou seja, sem corte salarial.

Fundadores e gestores que adotaram o modelo defendem que se trata de trabalhar de forma mais inteligente, não mais intensa, e citam relatos pessoais, como a frase de Gavin Arm, cofundador da Positivity Branding, “Seus filhos só são pequenos uma vez”.

Na experiência da empresa de software Nmbrs, a diretora de gestão de pessoas Marieke Pepers diz que “as licenças médicas diminuíram e a retenção aumentou” e que foi preciso reduzir reuniões e definir prioridades.

Dados e desempenho econômico

Os trabalhadores holandeses cumprem, em média, 32,1 horas por semana, a menor carga horária da União Europeia, bem abaixo da média do bloco, de 36 horas.

Ao mesmo tempo, o país mantém um dos maiores PIB per capita da Europa, o que desafia a ideia de que jornadas longas seriam necessárias para riqueza.

Por outro lado, especialistas da OCDE destacam limitações, como a observação de Daniela Glocker, economista responsável pela Holanda na OCDE, “É verdade que a Holanda tem alta produtividade e trabalha menos horas”, e também que “Mas o que vimos nos últimos 15 anos é que ela [a produtividade] não cresceu.”

Limites e propostas para manter o padrão de vida

A OCDE aponta que, para manter qualidade de vida com menos horas trabalhadas, os holandeses precisarão aumentar a produtividade por dia ou ampliar a oferta de trabalho.

Uma das vias sugeridas é elevar a participação de trabalhadores em tempo integral, em especial entre mulheres, porque a Holanda tem a maior proporção de trabalhadores em tempo parcial entre os países da OCDE.

O governo registra que “3 em cada 4 mulheres e 1 em cada 4 homens trabalham menos de 35 horas por semana”, um dado que mostra a diferença de gênero nas horas laborais e aponta barreiras como acesso a creches e impostos que desestimulam horas extras.

Impactos sociais e perspectivas

Sindicatos como o FNV defendem que “um dia a menos” pode beneficiar energia, produtividade e reduzir desigualdades, além de tornar profissões com escassez de mão de obra mais atraentes, como educação e saúde.

Para empresas que já testaram o esquema, o argumento é prático, com gestores relatando melhores resultados de bem-estar, criatividade e retenção, e com funcionários dizendo que têm mais tempo para inspiração e família.

Como resume um dos fundadores citados na cobertura, “Você está mais feliz? Está aproveitando mais a vida? É disso que se trata”, uma síntese do debate entre qualidade de vida e desafios macroeconômicos diante do envelhecimento populacional e da necessidade de manter produtividade.

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