Juiz de imigração rejeita tentativa de deportar estudante palestino de Columbia, decisão enfraquece esforço do governo Trump para expulsar ativistas estrangeiros em campus

Juíza Nina Froes concluiu que governo não comprovou base para deportar estudante palestino, citando documento não autenticado e abrindo caminho para recurso do Departamento de Justiça

Um juiz de imigração dos Estados Unidos rejeitou a tentativa do governo federal de remover um estudante estrangeiro por sua participação em protestos pró-Palestina.

O caso envolve Mohsen Mahdawi, aluno da Universidade de Columbia, que chegou a ser detido no ano passado após comparecer a manifestações e a uma entrevista sobre seu pedido de cidadania.

A decisão foi detalhada em documento apresentado a um tribunal federal de apelações em Nova York, conforme informação divulgada pelo g1.

O que decidiu a juíza e por que

A juíza de imigração Nina Froes, sediada em Chelmsford, Massachusetts, declarou em 13 de fevereiro que o Departamento de Segurança Interna não demonstrou que Mahdawi era passível de deportação.

Segundo a decisão, a tentativa de deportar o estudante se apoiou em um documento não autenticado supostamente assinado por Marco Rubio. A juíza considerou que as provas apresentadas pelo governo eram insuficientes para sustentar a expulsão.

O governo tem a opção de recorrer da decisão ao Conselho de Apelações de Imigração, órgão vinculado ao Departamento de Justiça dos EUA.

Contexto do caso e antecedentes

Mahdawi, nascido e criado em um campo de refugiados na Cisjordânia, foi preso em abril de 2025, quando compareceu a uma entrevista sobre seu pedido de naturalização.

Depois de duas semanas detido, ele foi liberado por ordem do juiz distrital Geoffrey Crawford no tribunal federal em Burlington, Vermont, que proibiu sua deportação imediata e sua remoção do estado.

O episódio integra um esforço mais amplo do governo Trump para deter e deportar estudantes estrangeiros com posições pró-Palestina, ou críticos da resposta de universidades à guerra em Gaza.

Casos similares e impacto na liberdade de expressão

Em 29 de janeiro, um juiz de imigração encerrou o processo de deportação contra a estudante de doutorado Rumeysa Ozturk, da Universidade Tufts, que havia sido alvo após coassinar um texto crítico à universidade.

No mês anterior, um juiz federal em Boston concluiu que o governo adotou uma política ilegal de deter e deportar acadêmicos como Ozturk e Mahdawi, política que, segundo a decisão, teria inibido a liberdade de expressão de estrangeiros em campus. O Departamento de Justiça recorre dessa decisão.

Reações e próximos passos

Em comunicado, Mahdawi afirmou, “Esta decisão é um passo importante para defender aquilo que o medo tentou destruir, o direito de falar pela paz e pela justiça“, traduzido da declaração divulgada por seus representantes.

O Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Justiça não responderam de imediato a pedidos de comentário, e a administração pode buscar apelação na instância competente.

Especialistas em imigração dizem que a manutenção dessa linha de decisões pode reduzir tentativas futuras de deportar estudantes por ativismo, ao exigir provas mais robustas por parte do governo.