Juiz rejeita tentativa de Trump de deportar estudante palestino Mohsen Mahdawi da Columbia, decisão cita falta de provas e documento não autenticado
Decisão da juíza Nina Froes representa revés ao esforço do governo para deportar estudante palestino, enquanto casos semelhantes levantam debate sobre liberdade de expressão nas universidades
O caso envolvendo o estudante palestino gerou nova derrota judicial para a administração Trump, ao colocar em xeque a estratégia do governo de remover estrangeiros que participaram de protestos pró-Palestina em campi.
O estudante foi detido após participar de manifestações e chegou a ficar preso em 2025, mas a corte de imigração não encontrou base suficiente para sua deportação, segundo a decisão.
As informações e detalhes do caso foram divulgados à imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.
O que decidiu a juíza e por que importa
A juíza de imigração Nina Froes, com base em Chelmsford, Massachusetts, proferiu decisão em 13 de fevereiro, concluindo que o Departamento de Segurança Interna não conseguiu comprovar que o estudante era passível de deportação.
Na avaliação da juíza, a tentativa de remover o aluno se apoiou em um documento não autenticado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, o que fragilizou o caso do governo.
Em declaração reproduzida pela imprensa, o estudante Mohsen Mahdawi afirmou que “Esta decisão é um passo importante para defender aquilo que o medo tentou destruir, o direito de falar pela paz e pela justiça”, diz ele.
Cronologia do episódio
Mohsen Mahdawi, nascido e criado em um campo de refugiados na Cisjordânia, foi detido em abril de 2025 quando compareceu a uma entrevista sobre seu pedido de cidadania americana.
Na ocasião, um juiz determinou rapidamente que o governo não o deportasse dos EUA nem o retirasse do estado de Vermont, e após duas semanas detido, Mahdawi deixou o tribunal federal em Burlington depois que o juiz distrital Geoffrey Crawford ordenou sua libertação.
Contexto mais amplo entre universidades e imigração
O caso é o mais recente entre ações do governo que alvejaram estudantes e acadêmicos com posições pró-Palestina ou críticas a Israel em universidades americanas, numa série de medidas que despertaram críticas sobre liberdade de expressão.
Em outro processo, um juiz de imigração encerrou a tentativa de deportação contra a estudante de doutorado da Universidade Tufts, Rumeysa Ozturk, e um juiz federal em Boston considerou no mês anterior que o governo teria adotado uma política ilegal de deter e deportar acadêmicos como Ozturk e Mahdawi, decisão que o Departamento de Justiça recorreu.
Próximos passos e possibilidade de recurso
O governo tem a opção de contestar a decisão no Conselho de Apelações de Imigração, órgão ligado ao Departamento de Justiça dos EUA, o que pode levar o caso a instâncias superiores.
Enquanto isso, a decisão da juíza Froes fortalece argumentos de defesa sobre proteção de direitos de expressão de estudantes estrangeiros em campus, e levanta perguntas sobre os critérios usados pelas autoridades para tentar deportar estudante palestino por atividades de ativismo.
O Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Justiça não responderam de imediato a pedidos de comentário, segundo registros da cobertura original.