Juíza rejeita tentativa de deportação do estudante palestino Mohsen Mahdawi, decisão aponta falta de provas e desafia estratégia do governo Trump contra ativismo universitário
Decisão de 13 de fevereiro afirma falta de provas e cita documento não autenticado em ação contra o estudante palestino Mohsen Mahdawi, levantando questionamentos sobre política de imigração
O juiz de imigração rejeitou a tentativa do governo Trump de deportar o estudante palestino Mohsen Mahdawi, após análise de provas apresentadas pela administração, que segundo a juíza não foram suficientes.
Mahdawi, aluno da Universidade de Columbia, chegou a ser preso em abril de 2025 após participar de protestos pró-Palestina, e deixou a custódia após decisão de um juiz federal.
O caso se soma a outros processos envolvendo estudantes estrangeiros alvo de ações do governo por ativismo em campi universitários, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse a juíza na decisão
A juíza de imigração Nina Froes, em Chelmsford, Massachusetts, decidiu em 13 de fevereiro que o Departamento de Segurança Interna não comprovou que Mahdawi era passível de deportação.
Segundo a decisão, a ordem do governo se baseou em um documento não autenticado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, o que fragilizou o caso administrativo.
Essa avaliação afastou a base jurídica apresentada pelo governo para manter o processo de retirada de Mahdawi dos EUA.
Contexto do caso e outras decisões recentes
Mahdawi nasceu e foi criado num campo de refugiados na Cisjordânia, e sua prisão ocorreu quando ele compareceu a uma entrevista sobre pedido de cidadania americana.
Após duas semanas detido, um juiz distrital em Burlington, Vermont, ordenou a libertação de Mahdawi, e o governo ainda pode recorrer da decisão da juíza de imigração.
Em caso similar, em 29 de janeiro, um juiz de imigração encerrou o processo contra a estudante de doutorado Rumeysa Ozturk, da Universidade Tufts, também alvo por posicionamentos pró-Palestina.
Implicações e próximos passos
Advogados de Mahdawi levaram a decisão a um tribunal federal de apelações em Nova York, e o governo pode contestar a sentença no Conselho de Apelações de Imigração, ligado ao Departamento de Justiça dos EUA.
Mahdawi afirmou, em comunicado, que “esta decisão é um passo importante para defender aquilo que o medo tentou destruir, o direito de falar pela paz e pela justiça“, traduzido para o português a partir da declaração divulgada à imprensa.
Especialistas jurídicos apontam que decisões como essa podem limitar tentativas administrativas de usar processos de imigração para silenciar estudantes estrangeiros, e o Departamento de Justiça já recorreu de outras sentenças que consideraram políticas do governo ilegais.