Justiça dos EUA mantém operações do ICE em Minnesota após pedido de suspensão, apesar de duas mortes de cidadãos americanos, e liberação de criança de 5 anos acirra críticas ao governo

Decisão da juíza Katherine Menendez permite que as operações do ICE em Minnesota, chamadas Metro Surge, sigam em vigor enquanto processos e protestos se desenrolam pelo país

A Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou um pedido para suspender temporariamente as operações do ICE em Minnesota, mantendo em curso a ofensiva conhecida como Metro Surge.

O Estado de Minnesota e as cidades de Minneapolis e St. Paul haviam movido ação contra o governo federal, alegando que as ações violam a soberania local e configuram discriminação, após duas mortes ocorridas durante as operações.

Os detalhes sobre a decisão e os incidentes que motivaram os protestos foram divulgados pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1

O que decidiu o tribunal

A juíza Katherine Menendez negou a medida cautelar solicitada para interromper as operações, concluindo que “o balanço dos prejuízos não favorece de forma decisiva a concessão de uma medida cautelar”.

Com isso, as operações do ICE em Minnesota continuam enquanto o mérito da ação ainda será julgado em definitivo, e o tribunal não avaliou, por ora, a legalidade das táticas empregadas pelos agentes federais.

A secretária de Justiça, Pam Bondi, comemorou a decisão ao chamar o resultado de “enorme vitória judicial”, enquanto o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou estar decepcionado e ressaltou que a decisão não apaga o medo e os danos causados pela operação.

Casos fatais que intensificaram protestos

O processo destaca dois episódios fatais ligados à ofensiva federal. No dia 7 de janeiro, Renée Good, cidadã americana, foi morta a tiros por um agente federal quando se recusou a sair do carro.

No dia 24 de janeiro, Alex Pretti, também americano, morreu durante outra operação em Minneapolis, enquanto protestava contra a morte de Renée. Esses casos ampliaram a mobilização pública e os protestos contra as operações do ICE em Minnesota.

Em declarações públicas, o prefeito Jacob Frey disse que “Essa decisão não muda o que as pessoas viveram aqui: o medo, a perturbação e os danos causados por uma operação federal que nunca deveria ter ocorrido em Minneapolis”.

Libertação de criança de 5 anos e críticas à execução das ações

Em um caso paralelo, o juiz federal Fred Biery ordenou a libertação imediata do menino Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e de seu pai, Adrian Conejo Arias, ambos solicitantes de asilo detidos após abordagens vinculadas à ofensiva migratória.

O pai e o filho foram detidos no dia 20 de janeiro, fora de casa, quando o menino voltava da escola, e imagens do garoto como “isca” viralizaram. O juiz Biery descreveu a busca como “mal concebida e incompetentemente executada” por cotas de deportação, mesmo que isso resulte na traumatização de crianças.

A decisão determinou que pai e filho sejam liberados até a próxima terça-feira, 3 de fevereiro, intensificando críticas ao modo como as operações federais têm sido conduzidas e alimentando os protestos que se espalharam por diversas cidades.

Consequências políticas e próximos passos

Enquanto os protestos crescem nacionalmente, a continuidade das ações do ICE mantém a tensão entre autoridades federais e governos locais, que apontam conflito de competências e preocupações com direitos civis.

O caso seguirá em tramitação, e a decisão da juíza Menendez vale apenas como resposta ao pedido de suspensão, sem julgar o mérito das alegações contra as estratégias empregadas nas operações do ICE em Minnesota.

Nos próximos dias, novas audiências e recursos podem alterar o curso do processo, enquanto ativistas e autoridades locais prometem manter a vigilância e a pressão pública sobre as ações federais.