Juíza Katherine Menendez considerou que o equilíbrio de prejuízos não justifica medida cautelar, mantendo as operações do ICE em Minnesota enquanto o mérito é julgado
As operações federais contra imigrantes, conhecidas como operações do ICE em Minnesota, seguem em vigor mesmo após dois incidentes fatais que mobilizaram protestos na região.
Autoridades locais, incluindo o estado de Minnesota e as cidades de Minneapolis e St. Paul, pediram a suspensão imediata das ações, alegando violação da soberania estadual e discriminação do governo federal.
O caso também teve um desdobramento humanitário, com um juiz ordenando a libertação de uma criança de cinco anos e do pai, após a detenção durante a ofensiva migratória, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a ação e os casos fatais
A ação judicial contra as operações do ICE em Minnesota foi movida pelo estado e pelas duas maiores cidades, que afirmam que a ofensiva chamada Metro Surge extrapola a atuação federal na região.
O processo destaca dois incidentes em que morreram cidadãos americanos, ocorridos nas operações do ICE em janeiro de 2026, um em 7 de janeiro, quando Renée Good foi morta a tiros por um agente federal ao se recusar a sair do carro, e outro em 24 de janeiro, quando Alex Pretti morreu durante uma abordagem em Minneapolis, enquanto protestava contra a morte de Renée.
Decisão judicial, argumentos e citações
A juíza federal Katherine Menendez negou o pedido de medida cautelar para suspender as operações, afirmando que, no momento, “o balanço dos prejuízos não favorece de forma decisiva a concessão de uma medida cautelar”. Ela ressaltou que a corte ainda não decidiu o mérito das alegações nem a legalidade das táticas usadas pelos agentes.
Do lado federal, a secretária de Justiça Pam Bondi descreveu a decisão como uma “enorme vitória judicial”. Em contrapartida, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse estar decepcionado e afirmou que “essa decisão não muda o que as pessoas viveram aqui, o medo, a perturbação e os danos causados por uma operação federal que nunca deveria ter ocorrido em Minneapolis”.
Libertação da criança e crítica do juiz
Em um caso paralelo, o juiz federal Fred Biery ordenou a libertação imediata de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e de seu pai, Adrian Conejo Arias, ambos solicitantes de asilo que haviam sido detidos no Texas após serem abordados durante a ofensiva decorrente das operações em Minnesota.
Pai e filho foram detidos em 20 de janeiro, do lado de fora de casa, quando o menino voltava da escola, e imagens do garoto sendo usado como “isca” viralizaram. Na decisão sobre a libertação, o juiz criticou a conduta do governo, descrevendo a busca como “mal concebida e incompetentemente executada” por cotas de deportação, mesmo que isso traumatize crianças, e determinou que pai e filho fossem soltos até a próxima terça-feira, dia 3.
Repercussão pública e próximos passos do processo
A manutenção das operações do ICE em Minnesota provocou uma onda de protestos em várias cidades dos Estados Unidos no mesmo final de semana, com manifestações mobilizadas por imagens e relatos dos incidentes envolvendo Renée, Alex e Liam.
Enquanto o litígio segue, a decisão da juíza Menendez permite que as ações federais continuem até que a corte analise o mérito das alegações, o que pode incluir questionamentos sobre autoridade federal, táticas de aplicação e possíveis violações de direitos civis.
O caso permanece em desenvolvimento, com autoridades locais prometendo levar a disputa até o julgamento final, e grupos de defesa dos direitos civis e imigrantes monitorando desdobramentos e planejando novas mobilizações.