Laranja e chuvas em SP: excesso de chuva derruba qualidade, eleva preços do suco e da fruta, e greening em Limeira atinge 79,38%, diz levantamento

Chuvas em SP, alta umidade e greening reduzem qualidade da laranja, aumentam perdas na indústria e pressionam preço da fruta e do suco para o consumidor

As recentes chuvas em SP e a alta umidade têm reduzido a qualidade da laranja colhida no interior paulista, com impacto direto nos preços pagos ao consumidor.

Perdas nas lavouras e queda do padrão da fruta enviadas à indústria estão entre os fatores que esfriaram o mercado em janeiro, segundo produtores e instituições técnicas.

As informações sobre efeitos climáticos e doenças na citricultura foram reunidas por levantamentos e análises divulgadas nas últimas semanas, conforme informação divulgada pelo g1

Como a umidade e fungos afetam a laranja

Segundo o Cepea, em Piracicaba (SP), a umidade excessiva causa podridões e fungos nos pomares. Parte da produção à indústria se perde ou chega ao mercado com padrão inferior.

Essa perda de qualidade se traduz em maior rejeição na triagem para suco e em frutas de menor valor para comercialização em fresco, reduzindo a oferta de lotes bem classificados.

Greening em Limeira e os números que preocupam

Levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, aponta que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024.

A liderança no ranking segue tendência de anos anteriores, e, em relação a 2023, a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%, segundo o Fundecitrus.

O Fundo é mantido por citricultores e indústrias de suco do estado, e seus dados mostram que a combinação de enfermidade e condições climáticas aumenta o risco de redução da produção comercializável.

Efeito nos preços, indústria e consumidor

Os prejuízos nos pomares, somados às altas temperaturas, têm impacto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor, conforme avaliação de especialistas citados nos levantamentos.

Relatos apontam que parte da safra destinada à indústria se perde, e lotes que chegam à fábrica com padrão inferior elevam custos de processamento e reduzem eficiência.

Também há sinais de movimento atípico no comércio, com importação de laranja em ritmo recorde em pico de safra, enquanto exportações de suco seguem mais lentas, o que pressiona ainda mais o mercado doméstico.

O que esperar nas próximas safras

Produtores e indústrias devem intensificar monitoramento fitossanitário e medidas de manejo para mitigar perdas por podridão, fungos e greening, e reduzir efeito sobre preço final.

Para o consumidor, a expectativa é de preços mais altos no curto prazo, até que a qualidade e a oferta se estabilizem, e até que ações de controle da doença mostrem resultado nas lavouras.

Especialistas recomendam atenção ao desenvolvimento climático e à divulgação de novos levantamentos, para acompanhar a evolução da produção de laranja em regiões afetadas pelas chuvas em SP e pelo greening.