Laranja em queda de qualidade e pressão por preços após chuvas em SP, diz USP, Cepea e Fundecitrus; greening em Limeira eleva perdas e preocupa mercado

Impacto das chuvas na laranja paulista reduz oferta de fruta com padrão, aumenta perdas na indústria e pressiona preços do suco e do consumidor, segundo análises

Chuvas intensas em janeiro prejudicaram a qualidade da laranja em várias regiões de São Paulo, provocando aumento de podridões e fungos nos pomares e reduzindo a oferta de fruta com padrão para venda e para a indústria.

Em consequência, parte da produção destinada ao processamento se perde e lotes chegam ao mercado com qualidade inferior, o que pressiona preços ao consumidor e afeta a cadeia do suco.

O cenário combina fatores climáticos e fitossanitários que preocupam produtores e indústrias, conforme informação divulgada pelo g1.

Como as chuvas e umidade afetam a qualidade da laranja

Cepea registrou que, em Piracicaba (SP), “a umidade excessiva causa podridões e fungos nos pomares. Parte da produção à indústria se perde ou chega ao mercado com padrão inferior.” Essas condições agravam perdas pós-colheita e reduzem a disponibilidade de fruta com qualidade para venda.

Quando a laranja entra no mercado com padrão inferior, cadeias de venda e indústria enfrentam aumento de custos, triagem mais rigorosa e menor rendimento na produção de suco, o que impacta margens e oferta.

Pressão sobre preços do fruto e do suco

O efeito das perdas vai além do campo, porque o consumidor sente reajustes. Segundo análise divulgada, “O prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm impacto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor.”

Além das chuvas, fatores sazonais e o desempenho da safra influenciam importações e exportações, e sinais de mercado apontam queda na oferta de fruta de boa qualidade, o que pode manter preços elevados.

Greening e situação em Limeira, liderança no ranking

Levantamento do Fundecitrus mostra que a região de Limeira (SP) segue como a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024, e “a liderança no ranking segue uma tendência já observada em anos anteriores.”

O estudo do Fundecitrus informa ainda que “a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%.” Esse avanço do greening amplia o desafio sanitário, reduz produtividade e pressiona mercados locais e de exportação.

O que esperar nas próximas semanas

Produtores, técnicos e indústrias devem intensificar monitoramento e manejo, buscando reduzir perdas e ajustar oferta. A combinação de chuvas, umidade e greening tende a manter volatilidade nos preços da laranja e do suco, com possíveis reflexos no supermercado.

Relatórios e análises da USP, do Cepea e do Fundecitrus seguem sendo referência para acompanhar a evolução da safra e orientar decisões de produtores e compradores.