Leilão dos Correios vende apenas 3 dos 12 imóveis no primeiro lote, arrecada R$ 9,1 milhões e levanta dúvidas sobre a estratégia de venda de imóveis dos Correios

O resultado do primeiro leilão virtual do plano de reestruturação mostrou baixa procura, custos e estado das unidades influenciaram ofertas, e há novos lotes previstos nas próximas semanas

O primeiro leilão virtual do plano de reestruturação dos Correios colocou 12 imóveis à venda, mas apenas três foram arrematados, em um começo abaixo do esperado.

A operação faz parte de uma estratégia maior para gerar caixa e tentar reduzir o rombo financeiro da estatal, com a meta de arrecadar R$ 1,5 bilhão ao longo do processo.

As unidades à venda vinham sendo questionadas por economistas, que apontaram que os valores estavam superestimados, dada a condição de algumas unidades, com sinais de vandalismo e depredação, conforme informação divulgada pelo g1

Resultado do primeiro leilão e valores obtidos

Os Correios venderam três unidades: em Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Caturaí (GO), o que vai gerar um caixa de R$ 9,1 milhões, segundo os dados divulgados pelo g1. Se todos tivessem sido vendidos pelo valor mínimo, a arrecadação seria de mais de R$ 14,5 milhões.

O imóvel mais caro oferecido no lote era o de Belo Horizonte, o lance mínimo para o prédio comercial de 3 mil metros quadrados na capital mineira era de R$ 8,3 milhões, conforme a listagem do leilão.

Posição oficial sobre imóveis que não receberam propostas

A estatal afirmou que os imóveis que não receberam propostas nesta etapa serão novamente disponibilizados nos próximos leilões, em continuidade à estratégia de racionalização e otimização do patrimônio da empresa, e que a estratégia seguirá com novas rodadas de vendas.

Próximos leilões e cronograma

Já estão previstos novos leilões nas próximas semanas, com data limite de lances para diversos lotes. No dia 26 de fevereiro, 9 imóveis serão leiloados, o valor mínimo, de todos eles juntos, é de R$ 28,2 milhões, segundo o cronograma divulgado.

Outros seis leilões estão previstos para março e abril (dia 5 de março, 12 de março, 19 de março, 26 de março, 02 de abril e 09 de abril), com cada prazo sendo o encerramento para apresentação de propostas, e após o fechamento será feita a análise das propostas e será declarado o vencedor do leilão.

Contexto financeiro dos Correios

A venda de ativos integra um esforço para reduzir déficits sequenciais. Em 2022, a empresa fechou as contas com mais de R$ 700 milhões no vermelho. O rombo em 2024 cresceu e foi de R$ 2,5 bilhões. De janeiro a setembro do ano passado, os Correios registraram prejuízo de R$ 6 bilhões, conforme as informações do g1.

O g1 também mostrou que, nesta quinta, os Correios esperam resultado negativo de R$ 5,8 bilhões no consolidado de todo o ano de 2025. Para 2026, documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI) da estatal estima que o rombo será maior e deve atingir R$ 9,1 bilhões.

Com a continuidade dos leilões, a estratégia de venda de ativos busca reduzir parte desses déficits, mas especialistas alertam para a necessidade de ajustar preços e avaliar a condição real dos imóveis, para que a venda de imóveis dos Correios de fato contribua para a recuperação financeira da empresa.