Libertação de presos políticos na Venezuela: 11 soltos em um dia, total de 383 desde 8 de janeiro, casos de Juan Pablo Guanipa e Perkins Rocha ganham destaque

Presos políticos na Venezuela continuam a ser liberados em uma série anunciada pelo governo, enquanto familiares e ONGs exigem libertação plena e incondicional de todos os detidos

Um novo grupo de dirigentes opositores foi solto neste domingo, em mais uma etapa das libertações que têm ocorrer no país nos últimos meses.

A liberação reacende críticas sobre o ritmo e as condições das solturas, e traz à tona pedidos por anistia e fim das medidas restritivas.

Segundo o grupo direitos humanos Foro Penal, 11 presos políticos foram libertados neste domingo, e a organização já havia confirmado que 383 presos políticos foram libertados desde que o governo venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de libertações, conforme informação divulgada pelo g1.

Quem foram os libertados

Entre os libertados está o opositor Juan Pablo Guanipa, 61 anos, figura conhecida da bancada contrária ao governo, que estava detido há meses.

Guanipa foi preso em 23 de maio de 2025, segundo o relato publicado pela reportagem, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento.

O líder opositor foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio, e declarou em vídeo após a soltura, publicado em sua conta no X, “Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio”, palavra por palavra como registrado pela fonte.

Também foi libertado o advogado e coordenador político Perkins Rocha, preso em 27 de agosto de 2024, que representava o Comando Nacional de Campanha de Corina Machado e Edmundo González perante o Conselho Nacional Eleitoral.

Reações da oposição e de familiares

A soltura gerou homenagens e pedidos imediatos por libertações adicionais, com destaque para as redes da líder opositora María Corina Machado.

Corina Machado comemorou a libertação de Guanipa com a mensagem, conforme registrada pela reportagem, “Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!”

O filho do opositor, Ramón Guanipa, publicou em X, texto citado pela fonte, “Anuncio que meu pai foi solto há alguns minutos. Depois de mais de oito meses de uma prisão injusta, e de mais de um ano e meio separados, toda a nossa família poderá voltar a se abraçar em breve”.

Em resposta, vozes da oposição no exílio, como Edmundo González Urrutia, pediram que as solturas se convertam em liberdade plena, lembrando que, segundo ele, enquanto processos estiverem abertos e houver medidas restritivas, a perseguição continua.

Cenário político e próximos passos

As liberações ocorrem em um momento em que o governo interino anunciou uma série de solturas desde 8 de janeiro, e quando o Parlamento se prepara para votar lei de anistia geral, de acordo com a cobertura.

ONGs e familiares enfatizam que, apesar das libertações pontuais, ainda há centenas de presos que, na avaliação dessas entidades, permanecem injustamente detidos, e exigem a “libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos”, frase usada por apoiadores nas redes, reproduzida na matéria.

Analistas apontam que a continuidade das libertações e a eventual aprovação de uma anistia serão determinantes para a tensão política interna e para as negociações com atores internacionais que pressionam por avanços em direitos e processos judiciais.

O que dizem as organizações de direitos humanos

O grupo Foro Penal segue contabilizando solturas e pedindo transparência sobre os critérios adotados para as liberações, conforme os números divulgados e citados acima.

Familiares e ativistas mantêm vigilância sobre medidas restritivas, notificações e a reabertura de processos, que, segundo eles, podem limitar a liberdade real mesmo após a saída das prisões.

Enquanto isso, a sociedade e interlocutores internacionais observarão de perto se as próximas etapas vão além de solturas condicionadas, e se haverá mudanças estruturais no tratamento de opositores, conforme verificado nas informações divulgadas pelo g1.