Libertação de presos políticos na Venezuela avança com 11 soltos neste domingo, incluindo aliados de María Corina Machado, e oposição pede anistia plena
Governo interino anuncia nova série de solturas, ONG Foro Penal confirma números, e líderes oposicionistas celebram libertações enquanto exigem liberdade total
A libertação de presos políticos na Venezuela teve um novo capítulo neste domingo, com 11 detentos sendo soltos, segundo dados de grupos de direitos humanos.
Entre os libertados estão aliados da líder oposicionista María Corina Machado, e familiares comemoraram nas redes sociais o retorno às ruas após meses de prisão ou afastamento.
As informações e números foram divulgados por veículos locais e organizações como o Foro Penal, conforme informação divulgada pelo g1.
Quem foi solto e as acusações
Um dos libertados é Juan Pablo Guanipa, 61 anos, opositor próximo de María Corina Machado, que passou meses foragido antes da detenção. Guanipa foi preso em 23 de maio de 2025, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento.
Guanipa enfrentava acusações de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio, segundo relatos da época. Em um vídeo publicado por ele após a soltura, aparece um documento que parece ser um alvará de soltura, e o opositor diz, “Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio”.
Também foi libertado o advogado e coordenador político Perkins Rocha, preso em 27 de agosto de 2024, que representava o Comando Nacional de Campanha de Corina Machado e Edmundo González perante o Conselho Nacional Eleitoral.
Reações da oposição, comemorações e pedidos
A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, anunciou uma nova série de libertações em 8 de janeiro, e a oposição tem cobrado rapidez e alcance nessas medidas.
Ramón Guanipa, filho de Juan Pablo, afirmou nas redes sociais, “Anuncio que meu pai foi solto há alguns minutos. Depois de mais de oito meses de uma prisão injusta, e de mais de um ano e meio separados, toda a nossa família poderá voltar a se abraçar em breve”.
A própria María Corina Machado também comemorou a libertação, publicando nas redes, “Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!”
Números confirmados e pedidos de libertação total
Segundo o grupo direitos humanos Foro Penal, 11 presos políticos foram libertados neste domingo. A organização já havia confirmado que 383 presos políticos foram libertados desde que o governo venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de libertações.
Após a confirmação da soltura, Ramón acrescentou, “Ainda há centenas de venezuelanos presos injustamente. Exigimos a libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos”, reforçando o apelo por um processo mais abrangente.
O ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que vive exilado em Madri, também reagiu e afirmou que as solturas não equivalem à liberdade plena, porque, na visão dele, casos abertos e medidas restritivas mantêm a perseguição.
Contexto político e próximos passos
As libertações ocorrem em meio a um contexto político tenso, com acusações de fraude nas eleições de 28 de julho de 2024, e com a oposição exigindo garantias maiores, incluindo anistia geral e o fechamento definitivo de processos contra adversários.
ONGs e familiares destacam a lentidão das solturas, e alertam que ainda há colaboradores de María Corina Machado presos, como Freddy Superlano. A oposição pressiona por uma anistia ampla, e acompanha de perto o andamento das votações no Parlamento e os efeitos legais das liberdades concedidas.
Enquanto isso, ativistas e grupos de direitos humanos mantêm a cobrança por transparência e pela libertação incondicional dos detidos por motivos políticos, acompanhando cada novo anúncio e cada número confirmado pelo Foro Penal.