Liquidação da CBSF, ex-Reag, pelo Banco Central: entenda por que a administradora foi fechada na investigação do Banco Master e o impacto para mais de 80 fundos

Decisão do BC aponta ‘graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN’, veja por que a CBSF foi colocada em liquidação extrajudicial e o que muda para cotistas

A Justiça administrativa do Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, nesta quinta-feira, 15.

A medida encerrou imediatamente as operações da empresa, que atuava como administradora de fundos e controlada pelo Grupo Reag.

A empresa está entre as investigadas em um suposto esquema de fraude ligado ao Banco Master, e o caso passou a ser apurado por autoridades competentes, conforme informação divulgada pelo g1.

O que motivou a liquidação, segundo o Banco Central

Em nota, o Banco Central disse que a decisão foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.

O BC também afirmou que a empresa “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial”, o que indica que se trata de instituição de pequeno porte sujeita a regras mais simples.

O órgão destacou ainda que a companhia “representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN”, e que continuará a apurar responsabilidades no suposto esquema envolvendo o Banco Master.

O BC informou que “o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, e reiterou que, pela lei, “os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados”.

Impacto imediato para fundos e cotistas

Com a liquidação, todas as operações da CBSF foram encerradas de imediato, segundo o BC.

Os fundos administrados pela empresa permanecem ativos, porém precisarão encontrar novas instituições para assumir sua administração, o que exige medidas rápidas para preservar a governança e a liquidez dos veículos.

A CBSF atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento, e a substituição do administrador costuma envolver prazos e aprovações regimentais que afetam cotistas e prestadores de serviço.

Contexto do grupo Reag e perfis envolvidos

A Reag é um grupo financeiro independente que já contou entre suas empresas com a Reag Investimentos, fundada em 2013 por João Carlos Mansur.

Segundo registros públicos, a Reag Investimentos “chegou a administrar R$ 299 bilhões” de clientes diversos, e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.

Nos últimos meses, o grupo passou por reorganizações societárias, vendas e investigações, incluindo menções na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal, e na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Relação com a Operação Compliance Zero e desdobramentos

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, tornou-se o eixo do caso envolvendo o Banco Master, que em novembro foi levado à liquidação extrajudicial pelo Banco Central, diante de risco de falência.

A investigação apontou esquema de captação de recursos, aplicação em fundos e desvios que teriam beneficiado controladores, e medidas judiciais recentes incluem ordens de busca e apreensão e o bloqueio de bens.

Na segunda fase da operação, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, e ações contra executivos ligados à Reag e ao Master foram registradas pela Polícia Federal.

Para cotistas e fornecedores, o principal desafio agora é a substituição do administrador, a continuidade da prestação de contas e a preservação do patrimônio dos fundos enquanto as apurações seguem em curso.

Autoridades financeiras e policiais prometem aprofundar investigações, e investidores devem acompanhar comunicados oficiais do Banco Central, da Polícia Federal e dos administradores dos fundos afetados.