quinta-feira, junho 4, 2026

Liquidação da CBSF: Reag Investimentos perde controle após fundador investigado pela PF sair, Arandu Partners detém 87,38% e cotistas enfrentam congelamento

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Banco Central decretou liquidação extrajudicial da CBSF DTVM, ex-Reag Trust, e administradora enfrenta restrições operacionais, venda do controle foi por cerca de R$ 100 milhões

A decisão do Banco Central determinou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, que administrava fundos do grupo.

O movimento ocorre após investigações da Polícia Federal que atingiram executivos e levaram à saída do fundador, e, na prática, provoca um congelamento operacional dos fundos enquanto se define o futuro da administração.

Estas informações foram reunidas e divulgadas com base em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1.

O desmonte da Reag

A trajetória recente da Reag Investimentos envolve uma série de mudanças societárias e de direção, após operações da Polícia Federal que apontaram uso de estruturas da gestora em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital.

Em setembro do ano passado, o fundador João Carlos Falbo Mansur formalizou sua saída da companhia, e a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta, com o cancelamento do registro na CVM aprovado em outubro de 2025, transformando a holding em empresa de capital fechado.

Na sequência da megaoperação contra o crime organizado no setor de combustíveis, a Operação Carbono Oculto, houve mandados de busca na sede, a saída de outros executivos e a reorganização do grupo.

Venda do controle para a Arandu Partners

Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A.

A Arandu Partners adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia, em uma transação estimada em R$ 100 milhões, segundo documentos divulgados à CVM, e desde dezembro de 2025 a gestora passou a negociar na bolsa com o ticker ARND3.

No ecossistema do grupo, a empresa que administrava fundos e executava operações financeiras, a Reag Trust DTVM, foi rebatizada como CBSF DTVM, e estava sujeita à fiscalização do Banco Central.

Como fica o cotista

Com a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM, os cotistas enfrentam, inicialmente, um congelamento nas operações de resgate e aplicação, enquanto o liquidante nomeado pelo Banco Central organiza a transferência de carteiras.

Segundo o advogado Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional“.

Bolico acrescentou, também em nota, “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado“.

O Banco Central classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, e avaliou que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada“, segundo a autarquia.

Investigações, Banco Master e Carbono Oculto

A situação da Reag Investimentos piorou com a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, e que atingiu o fundador com mandados de busca e apreensão.

As investigações apuram se a gestora participou da estruturação e administração de fundos usados em operações atípicas, com circulação de recursos entre fundos e o próprio banco, o que poderia ter sido empregado para inflar resultados e ocultar riscos.

A Reag também foi citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, em que a gestora teria prestado serviços a fundos supostamente usados para ocultação de patrimônio do PCC.

Com a liquidação da CBSF DTVM, o futuro operacional dos fundos e a responsabilização de gestores e ex-executivos continuam sob apuração, enquanto cotistas aguardam a convocação de assembleias e a eventual transferência das carteiras para administradoras consideradas saudáveis.

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