Liquidação extrajudicial da Reag Investimentos e da CBSF DTVM, por que o Banco Central agiu, quem controla a gestora hoje, e o impacto para cotistas e investigações

O BC apontou descumprimento de regras prudenciais pela CBSF, fundos ficam congelados até transferência, Arandu Partners passou a deter cerca de 87,38% do capital da Reag Investimentos

A decisão do Banco Central atinge a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, responsável por administrar fundos do grupo Reag Investimentos.

O decreto de liquidação extrajudicial interrompe as operações da DTVM, e pode levar à transferência dos fundos para outra administradora, com resgates e aplicações temporariamente congelados.

A medida ocorre após investigações da Polícia Federal que resultaram na saída do fundador e em mudança de controle da gestora, com venda a um grupo interno denominado Arandu Partners.

conforme informação divulgada pelo g1

O desmonte, a saída do fundador e a venda do controle

Em setembro de 2025, João Carlos Falbo Mansur, fundador e então presidente do conselho da Reag, formalizou sua saída do grupo em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal.

No mesmo período, parte do grupo vendeu o controle da Reag Investimentos para executivos internos por meio da Arandu Partners Holding S.A., que adquiriu cerca de 87,38% do capital, em uma operação estimada em R$ 100 milhões.

Em outubro de 2025, o registro da Reag Capital Holding na CVM foi cancelado, e a empresa deixou a condição de companhia aberta, segundo os documentos divulgados na época.

O que muda para cotistas dos fundos administrados pela Reag Investimentos

Com a liquidação da CBSF DTVM, os cotistas enfrentam um congelamento operacional, mas têm proteção legal pela segregação patrimonial dos fundos, de acordo com especialistas citados na apuração.

Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”.

Bolico acrescentou que “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado”.

O Banco Central classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, o que, segundo o regulador, reduz o risco de contágio sistêmico.

Motivos citados pelo Banco Central e efeitos imediatos

Em nota, o BC afirmou que a empresa “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”, apontando descumprimentos que justificaram a liquidação extrajudicial.

Com a nomeação de um liquidante, o processo prevê convocação de assembleias para transferir fundos a administradoras saudáveis, e o congelamento temporário de aplicações e resgates até que a transição ocorra.

Investigações da Polícia Federal e ligação com o Banco Master

A Reag Investimentos aparece em pelo menos duas frentes de investigação da Polícia Federal, incluindo a Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

As apurações levantam se a gestora atuou em parceria com o banco na estruturação e administração de fundos que teriam operado de forma atípica, incluindo circulação de recursos entre fundos e o próprio banco, práticas que a PF analisa para verificar eventual ocultação de riscos.

A gestora também foi citada na Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro em esquemas no setor de combustíveis, com menção a fundos e blindagens patrimoniais, segundo as investigações divulgadas publicamente.

O caso seguirá sob supervisão do Banco Central e das autoridades responsáveis pelas investigações, e a movimentação dos fundos da Reag Investimentos dependerá do trabalho do liquidante nomeado e das decisões em assembleia.