Liquidação extrajudicial da Reag, quem controla hoje a gestora após investigação da PF, venda por R$ 100 milhões e impactos para cotistas
O Banco Central colocou a CBSF DTVM, ex-Reag, em liquidação extrajudicial, enquanto a Polícia Federal investiga ligação com o Banco Master e a saída do fundador João Carlos Mansur
A decisão do Banco Central sobre a CBSF DTVM, antiga Reag Trust DTVM, interrompe a operação normal da empresa que administrava fundos do grupo Reag, e levanta dúvidas sobre o destino das carteiras e dos resgates.
O caso envolve também a venda do controle em 2025, a mudança de acionistas e apurações da Polícia Federal que apontam uso de estruturas para operações atípicas, segundo apuração do g1.
Nas linhas a seguir, explicamos quem controla hoje a gestora, o que diz o BC e como ficam os cotistas, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a liquidação e a posição do Banco Central
O Banco Central informou que a empresa descumpriu, “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”, frase publicada pelo g1 com o teor da nota do regulador.
Com a medida, a CBSF DTVM teve suas atividades suspensas e um liquidante será nomeado para gerir o processo, com poderes para convocar assembleia e transferir fundos para outra administradora, quando cabível.
O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, e ressaltou que, segundo a avaliação citada pelo g1, “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.
O desmonte da Reag e a saída do fundador
O grupo Reag passou por um desmonte após mandados de busca relacionados a operações da Polícia Federal, incluindo a Operação Carbono Oculto, e à Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema ligado ao Banco Master.
Em setembro de 2025, o fundador e então presidente do conselho, João Carlos Falbo Mansur, formalizou sua saída da companhia, em meio ao avanço das investigações, segundo noticiou o g1.
Venda do controle e quem controla hoje a gestora
No mesmo período, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A., que adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia em uma transação estimada em R$ 100 milhões, conforme divulgado à CVM e reportado pelo g1.
Com a operação, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, e a gestora adotou novo ticker na bolsa, operando desde dezembro de 2025 sob o código ARND3.
O que muda para os cotistas dos fundos administrados
Especialistas consultados pelo g1 explicam que há segregação patrimonial entre administradora e fundos, o que protege os ativos dos cotistas, em regra. Conforme citou Adilson Bolico, sócio do Mortari Bolico Advogados, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”.
Na prática, isso significa que resgates e novas aplicações ficam temporariamente congelados até que o liquidante convoque assembleia para decidir destino dos fundos, seja transferência a outra administradora, seja outras medidas legais.
O risco real para cotistas, segundo as autoridades citadas pelo g1, é se as investigações identificarem fraude dentro das carteiras, como aquisição de ativos problemáticos vinculados ao próprio grupo, situação que poderia afetar o valor dos fundos.
Seguiremos acompanhando novos desdobramentos sobre a liquidação da CBSF DTVM, a atuação da Arandu Partners como controladora, e eventuais determinações da CVM, do Banco Central e da Polícia Federal, conforme novas informações divulgadas pelo g1.