Em ligação de 50 minutos, Lula conversa com Trump sobre a crise venezuelana, convite ao Conselho da Paz, segurança regional, cooperação econômica e visita a Washington
O presidente brasileiro manteve uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, tratando da situação na Venezuela e combinando uma visita a Washington nos próximos meses.
Durante a ligação, foram discutidos temas políticos e humanitários, além de medidas bilaterais para combater crimes financeiros e o tráfico de armas.
No encerramento da introdução, cabe registrar as informações divulgadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes da ligação e posicionamentos sobre a Venezuela
A chamada entre os dois chefes de Estado durou 50 minutos, segundo o Planalto, e foi a primeira desde a intervenção americana que depôs Nicolás Maduro, que, de acordo com as informações recebidas, está detido em território dos Estados Unidos desde o ataque.
O presidente Lula reafirmou a importância de preservar a paz e a estabilidade regional e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano, e já havia criticado a ação militar, qualificando o episódio como “falta de respeito”. Ele afirmou também que o mundo vive um momento “muito crítico” e que a Carta das Nações Unidas está sendo “rasgada”, segundo declarações anteriores registradas pela imprensa.
Conselho da Paz, reservas e pedido de esclarecimentos técnicos
Na conversa, o presidente americano convidou o Brasil para integrar o Conselho da Paz criado pelos EUA, proposta que Lula não confirmou aceitar. O presidente brasileiro sugeriu que o eventual órgão se limite a questões humanitárias, inclua a situação da Faixa de Gaza e preveja um assento para a Palestina nos debates.
Fontes da diplomacia ouvidas pela TV Globo indicam que o governo brasileiro não tem pressa em responder ao convite e deve encaminhar pedidos de esclarecimentos técnicos sobre possíveis brechas jurídicas do estatuto apresentado por Washington. A avaliação é de que o Brasil não deve aceitar um estatuto pronto e unilateral, que já nasça com presidência fixa dos EUA e apoio explícito de apenas um dos lados do conflito.
Cooperação econômica e segurança, e próximos passos diplomáticos
Além da Venezuela, os presidentes trocaram informações sobre perspectivas econômicas. Trump afirmou que o crescimento do Brasil e dos EUA é positivo para a região, e ambos destacaram o bom relacionamento recente, que levou à retirada de parte significativa das tarifas sobre produtos brasileiros, segundo relato do Planalto.
Lula manifestou interesse em ampliar a parceria nas áreas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras, iniciativa que, conforme a nota oficial, foi bem recebida por Trump.
O que esperar daqui para frente
O governo brasileiro deve avaliar os termos do Conselho da Paz e só se pronunciar formalmente após obter esclarecimentos técnicos, segundo diplomatas consultados. A visita de Lula a Washington foi combinada para os próximos meses, sem data confirmada por parte do Planalto.
Enquanto isso, a agenda bilateral segue com sinais de aproximação em economia e segurança, e com atenção especial às implicações regionais da crise venezuelana, conforme informação divulgada pelo g1