Lula e Trump em março, encontro em Washington para ampliar cooperação contra crime organizado, resolver o tarifaço e definir postura sobre a América Latina e Venezuela

Reunião entre Lula e Trump deverá reunir ministérios e Polícia Federal, priorizar combate à lavagem de dinheiro, congelamento de ativos e avaliar impacto da captura de Maduro

O governo brasileiro avalia que o próximo encontro presencial entre Lula e Trump deve focar em temas bilaterais e na relação com a América Latina, com ênfase em segurança e comércio.

Fontes da diplomacia ouvidas pela imprensa informam que os três tópicos centrais são combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre o tarifaço e a situação na América Latina, em especial a crise venezuelana.

Os dois conversaram por telefone recentemente, e a expectativa é que a reunião ocorra em março, em Washington, com participação de várias pastas e da Polícia Federal, conforme informação divulgada pelo g1.

Contexto do encontro e interlocução entre os dois presidentes

Os dois conversaram na última segunda-feira (26) por quase uma hora por telefone, segundo nota divulgada pela assessoria da Presidência. Na conversa, trataram de temas ligados à relação bilateral e à agenda global, e celebraram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

Interlocutores do Palácio do Planalto acreditam que a conversa presencial será importante para organizar e reforçar a relação bilateral entre os países, e que representantes do governo brasileiro irão a Washington para detalhar propostas técnicas.

Combate ao crime organizado

Na conversa telefônica mais recente, Lula reiterou a proposta encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025 para o fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado. O Palácio do Planalto deseja ampliar a parceria em repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados sobre transações financeiras.

Segundo a avaliação do governo, a segurança pública será tema central também na disputa eleitoral de 2026, e manter proximidade com os Estados Unidos pode ajudar a neutralizar tentativas de influência da extrema-direita global no pleito.

Tarifaço e agenda comercial

O levantamento de parte das tarifas aplicadas a produtos brasileiros foi citado como um dos avanços do diálogo recente entre os presidentes. O Brasil interessa-se pela continuidade das negociações sobre produtos ainda afetados pelo tarifaço, e espera traduzir conversas em acordos técnicos que facilitem exportações.

A comitiva brasileira que deve viajar a Washington deve integrar o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal, para negociar pontos práticos e de fiscalização.

América Latina e a crise na Venezuela

A abordagem sobre a situação na América Latina já estava prevista em qualquer conversa entre os presidentes, por se tratar de questão territorial e geográfica, e ganhou urgência após eventos recentes na Venezuela.

A captura de Nicolás Maduro ocorreu em 3 de janeiro. A operação envolveu tropas de elite e enfrentamento direto com forças venezuelanas, mas foi concluída sem baixas norte-americanas. Maduro e sua esposa foram levados a um navio militar e, posteriormente, aos Estados Unidos, onde enfrentam acusações. Já no país, passaram por audiência e se declararam inocentes.

O episódio gerou forte repercussão internacional. Lula condenou a ação militar dos EUA na Venezuela e afirmou que a operação ultrapassou os limites do que considera aceitável na relação entre países, ao mesmo tempo em que defende a preservação da paz e o bem-estar da população venezuelana.

Na reunião de março, a expectativa é que Lula e Trump alinhem posições práticas sobre a resposta diplomática e humanitária na região, e avaliem medidas para reduzir riscos de escalada regional.