Lula e Trump em Washington em março para discutir combate ao crime organizado, tarifaço sobre produtos brasileiros e a crise na América Latina

Encontro em março entre Lula e Trump deve priorizar parceria contra crime organizado, negociações sobre o tarifaço e coordenação sobre a situação na América Latina

A reunião presencial entre os presidentes está prevista para março, ainda sem data definida, e terá foco em temas bilaterais e regionais.

O governo brasileiro quer pautar três assuntos centrais, com destaque para o combate ao crime organizado, o tarifaço sobre produtos brasileiros e a situação na América Latina.

Os dois líderes trocaram recentemente uma conversa por telefone que durou quase uma hora, quando trataram de pontos da relação bilateral, e a expectativa é que uma comitiva técnica acompanhe o encontro.

“trataram de temas ligados à relação bilateral e à agenda global e celebraram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”, conforme informação divulgada pelo g1.

Combate ao crime organizado

Na agenda de segurança, a intenção do Brasil é ampliar a cooperação com os Estados Unidos em áreas que incluem a repressão à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e ao congelamento de ativos de organizações criminosas.

Na conversa telefônica mais recente, Lula reiterou a proposta encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025 para o fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado, segundo assessores do Planalto.

A proposta, segundo interlocutores, também prevê intercâmbio de dados sobre transações financeiras, e a expectativa é lançar uma parceria estratégica mais concreta entre Brasil e Estados Unidos.

Tarifaço e comércio

Um dos pontos sensíveis é o chamado tarifaço que afetou vários produtos brasileiros, tema já abordado por Bolsonaro e que agora é retomado pela diplomacia do governo Lula.

Fontes indicam que a conversa por telefone entre os presidentes destacou o levantamento parcial dessas tarifas, e que representantes do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, entre outros, devem integrar a comitiva para debater medidas técnicas e comerciais.

América Latina e a crise na Venezuela

A situação regional também estará na pauta, em especial após acontecimentos recentes na Venezuela que mobilizaram a atenção internacional.

A captura de Nicolás Maduro ocorreu em 3 de janeiro, a operação envolveu tropas de elite e enfrentamento direto com forças venezuelanas, mas foi concluída sem baixas norte-americanas.

Maduro e sua esposa foram levados a um navio militar e, posteriormente, aos Estados Unidos, onde enfrentam acusações, e já no país, passaram por audiência e se declararam inocentes.

Lula condenou a ação militar dos EUA na Venezuela e afirmou que a operação ultrapassou os limites do que considera aceitável na relação entre países, e a diplomacia brasileira quer discutir com Washington caminhos para preservar a paz e o bem-estar da população venezuelana.

Comitiva e objetivo político

Espera-se que integrem a comitiva representantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal, para tratar dos temas técnicos e de segurança.

Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que o encontro presencial entre Lula e Trump será importante para organizar e reforçar a relação bilateral, e também para neutralizar esforços de atores externos que possam influenciar o cenário político brasileiro nas eleições de 2026.