quinta-feira, junho 4, 2026

Macron critica aceleração da aplicação provisória do acordo UE-Mercosul e alerta sobre impacto na agropecuária, pedindo debate no Parlamento Europeu

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Von der Leyen afirma que a Comissão seguirá com a aplicação provisória do acordo UE-Mercosul, Macron reage com surpresa, e produtores franceses temem aumento de importações de carne, açúcar e aves

Na sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco europeu aplicará provisoriamente o acordo UE-Mercosul, após ratificações no Mercosul.

O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a decisão como “uma má surpresa” e disse que a medida foi desrespeitosa ao Parlamento Europeu, aumentando a tensão entre Paris e Bruxelas.

Produtores e associações agrícolas franceses alertam para o risco de entrada de produtos a preços mais baixos, e pedem que os parlamentares europeus debatam o tema com mais profundidade, conforme informação divulgada pelo g1.

Reação de Macron e preocupação da França

Em Paris, depois de se reunir com o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, Emmanuel Macron afirmou que “Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim, e, para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”, em comentário a jornalistas.

A França, maior produtora agrícola da União Europeia, tem sido a principal opositora do acordo UE-Mercosul, por temer que o tratado aumente significativamente as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, o que poderia prejudicar produtores locais que já promovem protestos frequentes.

A associação francesa da indústria da carne, Interbev, pediu aos parlamentares no Parlamento Europeu que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”, cobrando mais espaço para discussão política.

O que diz a Comissão Europeia e o calendário

Ursula von der Leyen declarou, em breve declaração, “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”, ao justificar a decisão de aplicar o acordo de forma provisória.

A medida da Comissão ocorre após a ratificação do tratado por Argentina e Uruguai, na quinta-feira, 26 de fevereiro, e após a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados do Brasil, na quarta-feira, 25 de fevereiro, que agora segue para análise do Senado brasileiro.

Impacto econômico e apoio entre países da UE

O acordo entre a União Europeia e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações, e pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-se o maior acordo do bloco em redução potencial de impostos de importação.

Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o acordo. Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve, segundo registros da negociação no bloco.

Próximos passos e cenário político

Países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem que o acordo UE-Mercosul é essencial para compensar perdas comerciais causadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir dependência da China em minerais estratégicos.

Com a aplicação provisória anunciada pela Comissão, o próximo desafio será o debate no Parlamento Europeu e os processos de ratificação finais nos parlamentos nacionais, em um momento de forte mobilização de setores agrícolas contrários ao acordo.

Enquanto isso, a tensão entre a Comissão e aliados europeus críticos, em especial a França, deve orientar as discussões públicas e parlamentares nas próximas semanas, com atenção para possíveis medidas de salvaguarda e exigências ambientais e sanitárias que possam ser negociadas.

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