União Europeia aplica provisoriamente o acordo UE-Mercosul, von der Leyen diz que a Comissão seguirá com a aplicação provisória, e França teme aumento de importações a preços mais baixos
O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou como “uma má surpresa” a decisão da União Europeia de acelerar a aplicação do acordo com o Mercosul, ao comentar a declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A medida anunciada nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, prevê que a Comissão Europeia comece a aplicar o texto de forma provisória, depois da ratificação por alguns países do bloco e dos Estados do Mercosul.
O governo francês afirma que o tratado deve aumentar significativamente as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, o que pode prejudicar produtores locais que já fazem protestos frequentes, conforme informação divulgada pelo g1
Reação de Macron e das entidades agrícolas
Ao sair de uma reunião com o primeiro-ministro esloveno, Robert Golob, no Palácio do Eliseu, em Paris, Macron disse que, “Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim, e, para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”.
A preocupação francesa é secundada por associações do setor, como a Interbev, a associação francesa da indústria da carne, que pediu aos parlamentares franceses no Parlamento Europeu que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”.
O que mudou com a decisão da Comissão Europeia
Ursula von der Leyen afirmou, em declaração breve, “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”, e anunciou que a Comissão seguirá com a aplicação provisória do acordo.
A medida foi tomada após a ratificação do tratado por Argentina e Uruguai, na quinta-feira, 26 de fevereiro, e depois de a Câmara dos Deputados do Brasil aprovar o texto na quarta-feira, 25 de fevereiro, antes de seguir para análise do Senado.
Como foi a votação no bloco e implicações comerciais
Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, e a Bélgica se absteve.
O tratado, concluído em janeiro após 25 anos de negociações entre a União Europeia e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-se o maior acordo do bloco em termos de redução potencial de impostos de importação.
Interesses em jogo e próximos passos
Países favoráveis, como Alemanha e Espanha, argumentam que o acordo é essencial para compensar perdas com tarifas dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China em minerais estratégicos.
Com a aplicação provisória iniciada pela Comissão, o foco passa a ser o debate no Parlamento Europeu e a ratificação formal pelos parlamentos nacionais que ainda não votaram, além da tramitação no Senado brasileiro. A expectativa é que o tema continue gerando tensões entre proteção agrícola e interesses comerciais, com impacto direto nos setores de carne, açúcar e aves.