Entenda por que a aplicação provisória do acordo UE-Mercosul pegou a França de surpresa, quais os argumentos de Macron e quais são os riscos econômicos e políticos imediatos
O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a decisão da União Europeia de acelerar a implementação do acordo com o Mercosul foi, para a França, uma surpresa ruim, e afirmou que o movimento foi desrespeitoso ao Parlamento Europeu.
O governo francês, maior produtor agrícola da UE, teme que o tratado aumente, de forma significativa, as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando produtores locais que já promovem protestos frequentes.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a Comissão seguirá com a aplicação provisória do acordo, após a ratificação de alguns membros do Mercosul, e disse que a medida será posta em prática quando as partes estiverem prontas.
conforme informação divulgada pelo g1.
Reação da França e pressão política
Macron afirmou a jornalistas que a decisão foi “uma surpresa, uma surpresa ruim, e, para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”, após se reunir com o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, no Palácio do Eliseu, em Paris.
Em comunicado, a associação francesa da indústria da carne, Interbev, pediu aos parlamentares franceses no Parlamento Europeu que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”, pressionando por nova discussão sobre o tema.
Na votação de janeiro, 21 países da UE apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, e a Bélgica se absteve, evidenciando divisões internas no bloco.
Impactos econômicos e argumentos dos favoráveis
Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que o tratado é essencial para compensar perdas causadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir dependência da China em minerais estratégicos.
O texto negociado entre União Europeia e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações, e pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias.
Para países favoráveis, a redução de tarifas tornará o acordo o maior do bloco em potencial de eliminação de impostos de importação, abrindo mercados e reduzindo custos para exportadores europeus.
Ratificações, aplicação provisória e próximos passos
A decisão da Comissão Europeia sobre a aplicação provisória segue a ratificação do acordo pela Argentina e pelo Uruguai, e a aprovação na Câmara dos Deputados do Brasil, que agora encaminhou o texto ao Senado.
Ursula von der Leyen declarou, em breve pronunciamento, “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”, indicando que a Comissão dará início à aplicação provisória conforme as condições jurídicas e políticas forem atendidas.
O desenrolar do processo depende agora de decisões nacionais e do debate no Parlamento Europeu, que continua sendo um palco central para críticas e tentativas de revisão, enquanto produtores e associações pressionam por salvaguardas.
O que monitorar daqui para frente
Fique atento à posição do Senado brasileiro, às respostas dos países europeus contrários, e às medidas de proteção que governos e parlamentares poderão adotar para mitigar impactos nos setores agrícolas.
As negociações e a aplicação provisória do acordo UE-Mercosul devem continuar a gerar tensão entre interesses comerciais e preocupações setoriais, mantendo o tema em destaque nas agendas política e econômica da União Europeia e dos países do Mercosul.