Macron critica aceleração do acordo UE-Mercosul e alerta riscos para a agricultura francesa, diante da aplicação provisória anunciada pela Comissão Europeia

UE aplicará provisoriamente o acordo UE-Mercosul, provocando reação da França, que teme aumento de importações de carne, açúcar e aves e pede respeito ao Parlamento

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou como uma surpresa ruim a decisão da Comissão Europeia de aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul, e cobrou respeito ao papel do Parlamento Europeu.

A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco seguirá com a aplicação provisória do tratado depois de ratificações na América do Sul, acelerando a entrada em vigor de medidas previstas no texto.

As informações sobre a reação francesa e o anúncio da Comissão foram divulgadas por meio de reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1

O que disse Macron e quais são as preocupações

Macron afirmou a jornalistas no Palácio do Eliseu que ‘Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim, e, para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso’, ao comentar a decisão da Comissão Europeia.

A França, maior produtora agrícola da União Europeia, teme que o acordo aumente de forma significativa as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, com potencial para prejudicar produtores locais que já promovem protestos frequentes.

Em reação institucional, a associação francesa da indústria da carne, Interbev, pediu aos parlamentares no Parlamento Europeu que atuem para ‘impedir que a Comissão contorne o debate democrático’, segundo informações divulgadas à imprensa.

Como o acordo foi aprovado e o alcance econômico

Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o acordo, com Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votando contra, e a Bélgica se abstendo, conforme a cobertura do episódio.

O tratado, fechado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai após 25 anos de negociações, pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-se o maior acordo do bloco em termos de potencial de redução de impostos de importação.

Países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem que o acordo é importante para compensar perdas comerciais devido a tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência de minerais estratégicos da China.

Caminho legislativo e calendário

A decisão da Comissão Europeia ocorre após a ratificação do acordo pela Argentina e pelo Uruguai, na quinta-feira, e depois de a Câmara dos Deputados do Brasil ter aprovado o texto na quarta-feira, segundo a matéria consultada.

No Brasil, o projeto segue agora para análise do Senado Federal, enquanto a Comissão Europeia diz que dará início à aplicação provisória quando as condições jurídicas e práticas permitirem.

Ursula von der Leyen declarou, em breve entrevista, ‘Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos’, confirmando a intenção de avançar com a implementação provisória.

Implicações políticas e próximas disputas

Além do impacto econômico sobre setores sensíveis, a decisão deve alimentar debate político dentro da União Europeia sobre transparência e o papel das instituições na aprovação de acordos comerciais.

O clima de tensão pode levar a novas tentativas de influenciar votos e prazos, e a expectativa é que o Parlamento Europeu e governos contrários intensifiquem pedidos por salvaguardas ou medidas de compensação para produtores afetados.

Fontes citadas na reportagem, incluindo declarações oficiais e notas de associações do setor, foram repercutidas em cobertura do g1, conforme informação divulgada pelo g1