quinta-feira, junho 4, 2026

Macron critica aceleração do acordo UE-Mercosul pela Comissão Europeia, alerta risco ao setor agropecuário francês e pede respeito ao debate parlamentar

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Decisão da Comissão Europeia de aplicar provisoriamente o acordo UE-Mercosul surpreende a França, que teme aumento de importações de carne, açúcar e aves a preços menores

O presidente francês, Emmanuel Macron, qualificou como uma má surpresa a decisão da União Europeia de acelerar a aplicação do acordo UE-Mercosul, adotada pela Comissão Europeia nesta sexta-feira.

Macron disse que a medida foi recebida por Paris como uma surpresa ruim e que desrespeita o debate no Parlamento Europeu, preocupação que reflete a pressão interna sobre os produtores agrícolas franceses.

A reação francesa ocorre após a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, afirmar que o bloco aplicará provisoriamente o tratado, conforme informação divulgada pelo g1

Contexto e elogios à iniciativa da Comissão

O acordo UE-Mercosul foi fechado em janeiro, depois de 25 anos de negociações, entre a União Europeia e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

A Comissão Europeia decidiu avançar com a aplicação provisória depois da ratificação pela Argentina e pelo Uruguai, na quinta-feira, e da aprovação do texto pela Câmara dos Deputados do Brasil na quarta-feira, que agora segue para análise do Senado.

Segundo a Comissão, o tratado pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-o o maior acordo de livre comércio do bloco em termos de redução potencial de impostos de importação.

Críticas da França e dos produtores

A França, maior produtora agrícola da União Europeia, tem sido a principal opositora do acordo UE-Mercosul, por temer que o tratado aumente de forma significativa as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos.

O governo francês e associações do setor afirmam que a medida pode prejudicar produtores locais, que já promovem protestos frequentes em diversos pontos do país.

A associação francesa da indústria da carne, Interbev, pediu aos parlamentares franceses no Parlamento Europeu que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”, conforme comunicado citado pela imprensa.

Votação e posicionamento dos países

Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, e a Bélgica se absteve.

Países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem que o acordo UE-Mercosul é essencial para compensar perdas comerciais causadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China em minerais estratégicos.

Próximos passos e expectativa

Após o anúncio de aplicação provisória, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, afirmou, texto citado pela imprensa, “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”.

Resta acompanhar a tramitação no Parlamento Europeu e o desfecho no Senado brasileiro, além da reação dos setores produtivos na França e em outros estados-membros, que pode influenciar decisões futuras sobre a execução plena do acordo.

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