Macron diz que aceleração do acordo UE-Mercosul é uma surpresa ruim e alerta que aplicação provisória pode prejudicar produtores agrícolas franceses
Presidente francês critica decisão da Comissão Europeia de aplicar provisoriamente o acordo com Mercosul, citando risco para carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a decisão da União Europeia de acelerar a implementação do acordo com o Mercosul foi uma surpresa negativa para Paris.
Macron disse que a medida é, para a França, uma surpresa ruim, e que também representa desrespeito ao Parlamento Europeu, após anúncio de aplicação provisória pela Comissão Europeia.
As declarações ocorreram após a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmar que o bloco aplicará provisoriamente o acordo entre União Europeia e Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.
O que foi decidido e por que a Comissão avançou
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou, em breve declaração, “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”, confirmando a intenção de aplicar provisoriamente o tratado.
A decisão ocorre depois da ratificação do acordo pela Argentina e pelo Uruguai, na quinta-feira, 26, e depois de a Câmara dos Deputados do Brasil aprovar o texto na quarta-feira, 25, segundo as informações disponíveis.
Reações na França e preocupações do setor agrícola
A França, maior produtora agrícola da União Europeia, tem sido a principal opositora do acordo com o Mercosul, por temer aumento de importações a preços mais baixos que afetem os produtores locais.
O governo francês afirma que o tratado aumentará de forma significativa as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, o que pode prejudicar os produtores locais, que vêm realizando protestos frequentes.
A associação francesa da indústria da carne, Interbev, pediu aos parlamentares franceses no Parlamento Europeu que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”, em comunicado direcionado aos representantes.
Votação, impacto econômico e apoio de outros países
Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o acordo. Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve.
O tratado entre a União Europeia e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações, e pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias.
A Alemanha e outros países favoráveis, como a Espanha, defendem que o acordo é essencial para compensar perdas comerciais causadas por tarifas dos Estados Unidos, e para reduzir dependência da China em minerais estratégicos.
Próximos passos e o que vigora para governos e setor privado
Com a decisão de aplicar provisoriamente o acordo, fabricantes e exportadores europeus podem começar a planejar operações com tarifas reduzidas, mesmo enquanto alguns Estados-membros e o Parlamento Europeu ainda discutem detalhes.
No plano político interno, a tensão entre a Comissão Europeia e governos contrários, como o francês, deve se intensificar, enquanto deputados europeus e organizações do setor agrícola avaliam medidas para proteger produtores locais.
A expectativa é que o tema siga em debate no Parlamento Europeu e nas capitais nacionais, com atenção às repercussões comerciais, ambientais e sociais que o acordo poderá ter nos próximos meses.