Maduro Troca de Celular e Contrata Guardas Cubanos em Alerta Máximo Contra Ameaças dos EUA
Maduro reforça segurança com troca de celulares e guarda-costas cubanos ante ameaças dos EUA
Em um cenário de crescente tensão geopolítica, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tem adotado medidas de segurança rigorosas, incluindo a frequente troca de aparelhos celulares e o reforço de sua proteção pessoal com a atuação de guarda-costas cubanos. Essas ações ocorrem em resposta a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou com bombardeios terrestres contra alvos ligados ao narcotráfico na América Latina.
Fontes próximas ao governo venezuelano, que preferiram não se identificar por receio de represálias, relataram ao jornal ‘The New York Times’ uma atmosfera de apreensão no círculo íntimo de Maduro. A preocupação se concentra em possíveis ataques de precisão ou incursões de forças especiais por parte dos Estados Unidos.
O Ministério da Comunicação da Venezuela não comentou a reportagem, mantendo a postura oficial de não se pronunciar sobre as ações de segurança do presidente nem sobre as ameaças americanas. A escalada de tensões entre os dois países tem se intensificado nas últimas semanas, com declarações públicas de ambos os lados.
Aumento da Vigilância e Mudanças de Rotina
Para se proteger de possíveis ataques, Maduro tem alterado constantemente os locais onde dorme e os telefones que utiliza. Essa estratégia visa dificultar o rastreamento e a identificação de seus movimentos por potenciais adversários.
Além das mudanças de rotina, o presidente venezuelano ampliou o papel de seus guarda-costas cubanos. A designação de mais oficiais cubanos de contraespionagem para as forças armadas da Venezuela também faz parte desse esforço para reduzir o risco de traição e garantir a segurança pessoal.
Maduro também tem modificado sua agenda pública, diminuindo a participação em eventos programados e transmissões ao vivo. Em vez disso, tem optado por aparições espontâneas e mensagens pré-gravadas, o que permite um maior controle sobre sua imagem e segurança.
Ameaças de Trump e Resposta Venezuelana
As medidas de segurança de Maduro teriam se intensificado a partir de setembro, quando os Estados Unidos começaram a concentrar navios de guerra na região e a atacar embarcações acusadas pelo governo Trump de traficarem drogas da Venezuela. O presidente americano chegou a afirmar que bombardeios terrestres contra alvos ligados ao narcotráfico na América Latina começariam “muito em breve”.
Trump declarou que qualquer país que comercialize drogas com os Estados Unidos estaria sujeito a ataques, mencionando especificamente a Colômbia e a Venezuela. Ele acusou Nicolás Maduro de chefiar o Cartel de Los Soles, justificando a escalada militar contra o país caribenho.
Em contrapartida, Maduro tem procurado minimizar as ameaças de Washington em público, transmitindo uma imagem descontraída e realizando aparições públicas inesperadas, incluindo vídeos de propaganda no TikTok. Ele acusa os EUA de usarem o combate ao tráfico de drogas como pretexto para tentar removê-lo do poder.
Escalada Militar e Considerações sobre Ataques
O governo Trump estaria considerando bombardear alvos militares dentro da Venezuela, com locais potenciais já definidos, segundo reportagens do jornal americano “The Wall Street Journal”. Os alvos avaliados incluiriam portos e aeroportos sob controle militar e supostamente utilizados para o tráfico de drogas.
Desde setembro, os ataques a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, que os EUA acusam de transportar drogas para o território americano, já resultaram na morte de mais de 80 pessoas. A Venezuela tem sido o principal alvo dessa escalada militar promovida por Trump na região.
O presidente americano defendeu os ataques, afirmando que eles salvam milhares de americanos. Ele ressaltou que os narcotraficantes latino-americanos sabem que serão mortos se tentarem levar drogas aos EUA, e que a ameaça será eliminada “por mar ou terra, se necessário”.
Contexto do Combate ao Narcotráfico
Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas de 2023 da agência da ONU, a maior parte da cocaína que chega aos EUA provém da Colômbia, Peru e Bolívia. Já o fentanil, opioide responsável por grande parte das overdoses, tem origem majoritariamente no México.
A Colômbia, em particular, tem sido alvo de acusações por parte de Trump, que a chamou de “traficante de drogas ilegal”. O presidente colombiano, Gustavo Petro, rebateu as declarações, convidando Trump para presenciar a destruição de laboratórios de cocaína e afirmando que a Colômbia tem sido fundamental para impedir a chegada de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
A situação demonstra a complexidade do combate ao narcotráfico na América Latina e as crescentes tensões diplomáticas e militares na região, com a Venezuela no centro das preocupações de segurança dos Estados Unidos.