Maioria das pessoas está satisfeita com trabalho atual, aponta FGV Ibre, indicadores mostram 78,1% satisfeitos e insatisfeitos caem para 6,1%
Dados da Sondagem de Mercado de Trabalho detalham percepção dos trabalhadores sobre satisfação, risco de perder renda e proteção social, com explicações para os números e tendência para 2026
A oitava edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho traz sinais de melhora na percepção dos ocupados sobre o emprego, com a maioria relatando satisfação no trabalho.
O levantamento, feito pela Sondagem de Mercado de Trabalho, inclui itens como chance de perder emprego, proteção social e expectativa para os próximos seis meses.
Os resultados e as explicações para os motivos citados pelos respondentes foram divulgados à imprensa, conforme informação divulgada pelo Valor Online.
Resultados principais
A pesquisa aponta que uma parcela expressiva dos entrevistados se declara satisfeita com o trabalho atual, enquanto a porcentagem dos insatisfeitos ficou no menor patamar da série.
Entre os indicadores, a parcela de respondentes que se mostraram “insatisfeitos” ou “muito insatisfeitos” permaneceu em 6,1%, também o menor valor registrado desde a inclusão do quesito na pesquisa.
Motivos da insatisfação
Quando questionados sobre os motivos da insatisfação, os entrevistados puderam indicar mais de uma razão, por isso as opções somam mais de 100%.
A remuneração baixa foi o fator mais citado pelos insatisfeitos, com participação média de 60,5% entre os que declararam insatisfação, seguida por questões relacionadas à saúde mental, com 24,8%, e carga horária elevada, com 21,9%.
O que dizem os especialistas
Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, relaciona o resultado à evolução do mercado de trabalho e da renda nos últimos anos, em suas palavras, “A evolução favorável do mercado de trabalho nos últimos anos parece refletir nos dados sobre satisfação do trabalho, que seguem avançando, A mínima da taxa de desocupação, com melhora concentrada no trabalho formal, e a evolução da renda são fatores que tendem a influenciar a percepção dos trabalhadores sobre sua ocupação”, afirmou Tobler.
Sobre a expectativa para 2026, ele acrescentou, “Nesse sentido, a percepção sobre satisfação tende a registrar ritmo semelhante, abaixo do observado em 2025”, indicando uma possível desaceleração acompanhando o ritmo mais fraco da atividade econômica.
Contexto e metodologia
Desde julho de 2025, o FGV Ibre divulga mensalmente indicadores sobre a qualidade do emprego, obtidos pela Sondagem de Mercado de Trabalho, pesquisa feita com a população em idade para trabalhar em todo o país.
Os novos indicadores visam complementar informações sobre condições de trabalho, com seis temas centrais: satisfação com o trabalho, chance de perder emprego ou fonte de renda, proteção social, renda suficiente, percepção geral sobre o mercado de trabalho e expectativa para os próximos seis meses.
Os primeiros relatórios explicam os temas e detalham os quesitos, já que a coleta começou em 2025 e ainda não permite comparações históricas longas.