Manifestantes dos EUA lotam ruas em protestos contra ICE e Trump após mortes de Alex Pretti e Renee Good, atos se espalham por mais de 30 cidades e geram prisões

Manifestantes dos EUA seguem mobilizados do Pacífico à Nova Inglaterra, com comércios fechados, estudantes nas ruas, forte presença policial e críticas ao ICE e a Donald Trump

Milhares de pessoas saíram às ruas em diversas cidades dos Estados Unidos para protestar contra as operações do ICE e as políticas do presidente Donald Trump.

Os atos ganharam nova intensidade após as mortes de civis em ações de agentes federais, com manifestações registradas de Seattle a Nova York, e comércios fechando em solidariedade.

Estudantes abandonaram as aulas para se juntar aos protestos em várias regiões do país, e a mobilização foi marcada por clima de tensão e presença policial reforçada, conforme informação divulgada pelo g1

Onde e como os protestos aconteceram

As manifestações ocorreram em cidades como Minneapolis, Los Angeles, Houston, Nova York, Atlanta, Portland e Detroit, e chegaram a cobrir grande parte do território nacional.

Em algumas localidades, comércios e restaurantes fecharam as portas em solidariedade aos manifestantes, e escolas no Arizona cancelaram o dia de aula em antecipação à ausência em massa.

Em cidades do norte, os protestos seguiram mesmo com temperaturas extremas, registrando até -17°C em algumas regiões, e cartazes criticando o ICE e Trump estavam presentes em grande quantidade.

Mortes, investigações e reações públicas

A mobilização aumentou após a morte do enfermeiro Alex Pretti, descrito na cobertura como tendo sido “atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro”.

Antes disso, Renee Good, uma mãe de 37 anos, “foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE”, informação que também alimentou a ira pública e os protestos em escala nacional.

O Departamento de Justiça anunciou abertura de nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, com foco na possível violação de direitos fundamentais, e a apuração foi descrita como um procedimento padrão pelas autoridades.

O presidente Trump criticou as vítimas e os manifestantes em mensagens nas redes, qualificando o vídeo que mostra Pretti resistindo à prisão como uma “demonstração de violência”, e descreveu opositores como “insurgentes” e “agitadores financiados por rebeldes profissionais”.

Por outro lado, vozes de protesto afirmaram seus motivos nas ruas, com uma manifestante dizendo, “Eu moro aqui (…) e não acho que nosso governo deva nos aterrorizar dessa forma”, e outra acrescentando, “Estamos tentando expulsá-los daqui”.

Em Minneapolis, o cantor Bruce Springsteen subiu ao palco para cantar uma música composta em homenagem a Alex Pretti, em ato que reforçou a visibilidade cultural do movimento.

Prisões de jornalistas e repercussão sobre liberdade de imprensa

No contexto das manifestações, houve prisões de jornalistas, inclusive do ex-âncora da CNN Don Lemon, que, segundo relatos oficiais, foi alvo de processo e está previsto para comparecer ao tribunal em Minneapolis.

A procuradora-geral Pam Bondi, em publicação na rede X, afirmou que supervisionou “pessoalmente” a prisão de Don Lemon, o que gerou críticas de defensores da imprensa.

Don Lemon declarou, “Não vou parar agora”, e afirmou, “Nunca foi tão importante ter uma mídia livre e independente que traga a verdade à tona e responsabilize os poderosos.”

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas qualificou a ação como um “ataque flagrante” à imprensa, e líderes locais e estaduais reagiram com comentários contundentes sobre o papel da mídia e do Estado durante os protestos.

Contexto político e próximos passos

Enquanto o governo sinaliza continuidade de operações, o enviado Tom Homan disse à Fox News que a administração pretende “prosseguir com a deportação em massa”.

No plano político, houve pedidos por “desescalada” em alguns canais oficiais, embora a retórica presidencial e as medidas federais mantenham a polarização alta, e o debate sobre táticas do ICE segue no centro das críticas.

A mobilização dos manifestantes dos EUA continua a gerar apelo nacional e internacional, com vigilância sobre investigações em curso e repercussão sobre práticas policiais, políticas migratórias e direitos civis, e o país acompanha desdobramentos em várias frentes.