Manifestantes em Milão dizem ‘Não os queremos aqui’, protesto contra agentes do ICE nas Olimpíadas reúne partidos, sindicatos e ANPI e pressiona governo italiano

Protesto na Piazza XXV Aprile critica envio de agentes do ICE, aponta abusos e pede explicações ao ministro Piantedosi, enquanto prefeito Sala declara que não são bem-vindos

Centinares de pessoas se reuniram em Milão no dia 31 de janeiro para demonstrar contra a presença de agentes do ICE durante os Jogos Olímpicos de Inverno, marcados para começar em 6 de fevereiro.

Os manifestantes protestaram na Piazza XXV Aprile, praça que homenageia a libertação da Itália do fascismo em 1945, e exibiram faixas com mensagens contra a presença estrangeira na segurança do evento.

O ato reuniu membros do Partido Democrático, da confederação sindical CGIL e da ANPI, além de moradores e ativistas que criticaram práticas atribuídas à agência americana, conforme informação divulgada pelo g1

Por que a presença dos agentes do ICE provoca reação

Segundo relatos, a divisão do ICE foi escolhida para integrar a segurança da delegação olímpica dos Estados Unidos, com os agentes alocados em uma sala de controle, sem atuação direta nas ruas, mas isso não diminuiu a rejeição local.

Muitos manifestantes relacionaram a presença dos agentes a denúncias e imagens de abusos nos Estados Unidos, e disseram temer a importação de práticas repressivas para solo italiano.

Quem participou e o que disseram

O protesto contou com parlamentares, sindicalistas e representantes da ANPI, e exibiu faixas com mensagens como, “Não, obrigada. De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos”, “‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa”, e “ICE só no Spritz”.

Uma das manifestantes, Silvana Grassi, carregava uma placa com a frase “ICE = Gestapo”, e afirmou que cenas de agentes do ICE em Minneapolis foram profundamente perturbadoras, “Dá vontade de chorar só de pensar nisso”, disse Grassi.

Unidade do ICE enviada e funções atribuídas

A reportagem aponta que os agentes que irão a Milão não são da unidade de deportações ERO, mas da Homeland Security Investigations, a HSI, descrita como uma divisão do ICE voltada para crimes transfronteiriços.

Fontes indicam que a HSI frequentemente envia equipes para eventos internacionais, como as Olimpíadas, para colaborar em investigações e apoio logístico, reforçando que “os agentes deverão ficar alocados em uma sala de controle, sem atuar diretamente nas ruas”.

Reações políticas e próximos passos

A notícia do envio provocou repercussão entre autoridades locais, com o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmando que os agentes não eram bem-vindos, e o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, sendo convocado ao Parlamento para prestar esclarecimentos.

Entre os manifestantes, o sentimento foi resumido em declarações firmes, como “Mesmo que não sejam os mesmos, não os queremos aqui” e, em palavras de Paolo Bortoletto, “Não os queremos em nosso país, Somos um país pacífico, Não queremos fascistas, São as ideias deles que nos incomodam.”

O ato em Milão reflete uma movimentação política e social que questiona a participação de forças estrangeiras na segurança de grandes eventos, e mantém pressão sobre as autoridades italianas por mais transparência sobre o papel dos agentes do ICE nas Olimpíadas.