Netanyahu propõe comissão própria para investigar o 7 de Outubro, mas enfrenta forte oposição
Uma controversa proposta do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para a criação de uma comissão parlamentar que investigará as falhas de segurança que antecederam o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 está gerando intensa revolta e unindo a oposição, que antes era fragmentada. A iniciativa, aprovada em primeira votação pelo Legislativo, contraria o modelo tradicional de comissões independentes lideradas pela Suprema Corte.
A desconfiança em relação ao sistema jurídico do país, alimentada pelo fato de Netanyahu ser réu em três processos por corrupção, é um dos principais pontos de discórdia. O premiê insiste que sua comissão será independente, mas pesquisas de opinião indicam que mais de 70% da população não compartilha dessa visão. Críticos denunciam a manobra como uma tentativa de blindar o próprio premiê de responsabilidades.
O modelo proposto pelo governo prevê que os membros do Parlamento, sob a liderança da coalizão que apoia Netanyahu, escolherão os seis integrantes do comitê. Essa estrutura levanta sérias preocupações sobre a isenção do colegiado para analisar o fracasso governamental em prevenir o ataque, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e no sequestro de outras 240.
Oposição e familiares das vítimas denunciam “crime organizado”
Líderes políticos e familiares das vítimas do massacre do 7 de Outubro expressaram indignação com a proposta. Yair Golan, líder do Partido Democrata, classificou a iniciativa como um “crime organizado, disfarçado de lei”. Segundo ele, o homem responsável pelo “maior desastre de nossa história” não busca respostas, mas sim um álibi.
O Conselho de Outubro, que representa as famílias das vítimas, divulgou um comunicado contundente, afirmando que o governo “continua a cuspir na cara das famílias enlutadas, dos reféns libertados, das famílias dos reféns, das famílias das vítimas, dos moradores do Sul e do Norte, dos reservistas e de todos os cidadãos de Israel”.
Comissão sob suspeita de falta de isenção
A preocupação central reside na composição e na autonomia da comissão. Eyal Eshel, pai de uma militar assassinada no ataque, resumiu a crítica ao afirmar que “o mesmo gabinete que estava lá em 7 de outubro, determinará o que será ou não discutido”. Essa percepção de falta de isenção é compartilhada por amplos setores da sociedade israelense, que veem a iniciativa como uma forma de Netanyahu evadir a responsabilidade pelas falhas de segurança.
A criação de uma comissão independente, liderada pela Suprema Corte, era a expectativa geral, seguindo um padrão de apuração de responsabilidades em momentos críticos para o país. A resistência à proposta do governo demonstra a profunda divisão e a desconfiança que o episódio do 7 de Outubro e as ações subsequentes do governo têm gerado em Israel.