Senatran lança o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular e altera regras da prova prática da CNH, com foco no comportamento ao volante
A Secretaria Nacional de Trânsito, Senatran, publicou um novo manual que padroniza a prova prática da CNH em todo o país.
O Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, MBEDV, orienta que a avaliação deve privilegiar a observação do candidato em situações reais de tráfego, e não apenas manobras isoladas.
As mudanças incluem o fim da obrigatoriedade da baliza em várias unidades da federação, e ajustes como a permissão para carros automáticos em São Paulo, conforme informação divulgada pelo g1.
O que muda com o MBEDV
Segundo a Senatran, o documento estabelece regras nacionais para o exame de direção, detalha critérios da avaliação e esclarece como funciona a baliza na prova prática.
O manual traz que a avaliação da baliza “deixou de ser uma etapa obrigatória da prova prática”, e que a “avaliação deixa de ser sobre uma manobra específica, feita em um espaço à parte e pouco representativa do dia a dia, e passa a observar o condutor em situação real de tráfego”.
Sobre o papel restante da baliza, o texto ressalta que “O que permanece [sobre a avaliação da baliza] é a finalização do percurso, momento em que o candidato deverá estacionar o veículo”.
Estados que já não exigem a baliza
Ao menos 10 estados e outras unidades da federação já adotaram a não obrigatoriedade da baliza na prova prática da CNH, em movimentos iniciados por Detrans locais.
O Distrito Federal, por exemplo, deixou de aplicar o teste em 2004, e Mato Grosso retirou a obrigatoriedade em janeiro, com implementação gradual até 10 de fevereiro.
Estados como São Paulo, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Sergipe anunciaram a suspensão da baliza, e outros Detrans informaram que aguardavam a publicação do manual antes de ajustar procedimentos.
Permissão para carros automáticos e dados do Inmetro
Uma mudança adicional em São Paulo permite que candidatos usem veículos automáticos na prova prática da CNH, antes restritos apenas a quem precisava de adaptação.
O Detran de São Paulo justificou que a medida “reconhece a crescente presença desse tipo de veículo na frota brasileira e amplia as possibilidades para os candidatos, respeitando os critérios técnicos já adotados nos exames”.
Dados do Inmetro, citados no manual, apontam que “apenas 121 dos 769 modelos e versões de carros vendidos no Brasil têm câmbio manual”. “Esse total representa 15,7% de todos os veículos, importados ou fabricados no país, comercializados no Brasil.”
Opiniões de especialistas
Especialistas ouvidos divergem sobre o fim da baliza como etapa obrigatória da prova prática da CNH.
A especialista em direito de trânsito Laura Diniz avalia que o fim da baliza “não é positivo”. Ela afirma, “Estacionar corretamente é uma situação cotidiana para qualquer motorista e, muitas vezes, um fator determinante para a fluidez e a segurança do tráfego. Ao retirar essa etapa do exame, corre-se o risco de habilitar condutores que ainda não possuem domínio suficiente do veículo”.
Laura acrescenta que “melhoras no processo de habilitação são favoráveis, mas a retirada de etapas essenciais sem que haja uma compensação efetiva na formação prática do condutor pode ser prejudicial a longo prazo”.
Já a psicóloga especialista em trânsito Cecília Bellina diz que “Eu não sou nem contra nem a favor da retirada da baliza. Sou contra mais uma mudança radical sem esperar o resultado da primeira, ocorrida há menos de dois meses”. Ela também expressa preocupação com outras alterações em discussão, como a redução das aulas práticas e o fim da obrigatoriedade da autoescola.
Em resumo, o MBEDV muda o foco da prova prática da CNH para o comportamento em tráfego real, com impacto direto nas avaliações aplicadas pelos Detrans, e provoca debate entre quem vê avanços na modernização e quem teme perda de preparo técnico de novos condutores.