Levantamento do IBPT mostra forte concentração de arrecadação em 100 municípios, que reúnem 36,4% da população, e aponta efeitos esperados com a reforma tributária
Os 100 municípios com maior arrecadação de tributos no Brasil concentram 77,6% do total recolhido no país, embora abriguem pouco mais de um terço da população, 36,4%.
O conjunto desses municípios arrecadou mais de R$ 1,9 trilhão em 2024, com destaque para o município de São Paulo, que sozinho recolheu R$ 581,2 bilhões, o equivalente a 23,1% do total nacional.
Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, obtido em primeira mão pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o levantamento revela sobre a concentração
O estudo do IBPT, com base em informações da Receita Federal sobre receitas administradas pelo Fisco em 2024, mostra que a arrecadação está muito concentrada, especialmente no Sudeste e no Sul.
Regiões com maior presença de atividades industriais e comerciais tendem a liderar a arrecadação, o que explica por que municípios de menor população apresentam valores muito elevados.
Segundo João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT, “Existem municípios que, mesmo com menor população, ainda registram uma arrecadação muito elevada por conta da concentração de indústrias, comércio e prestadores de serviços”, a explicação foi dada pelo executivo do IBPT.
Quem lidera o ranking e os números por município
Na lista dos 10 municípios que mais arrecadaram em 2024 figuram São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília no topo. Os valores dos 10 primeiros são: São Paulo (SP), R$ 581,2 bilhões, Rio de Janeiro (RJ), R$ 306,9 bilhões, Brasília (DF), R$ 180,1 bilhões, Belo Horizonte (MG), R$ 54,7 bilhões, Osasco (SP), R$ 50,2 bilhões.
Completam o top 10 Curitiba (PR), R$ 44,5 bilhões, Barueri (SP), R$ 36,5 bilhões, Porto Alegre (RS), R$ 33,7 bilhões, Itajaí (SC), R$ 27,1 bilhões, e Campinas (SP), R$ 26 bilhões.
O levantamento destaca ainda a arrecadação per capita, com Barueri no topo, arrecadando R$ 110,4 mil por pessoa, e São Paulo na 12ª posição, com R$ 48.854,61 por habitante.
Distribuição regional e concentração por estado
O Sudeste concentra a maior parte dos municípios no ranking, com 53 cidades, sendo 36 apenas no estado de São Paulo. O Sul aparece em seguida, com 26 municípios, e o Nordeste tem 12 municípios inclusos.
O Centro-Oeste tem 6 municípios no grupo, incluindo Brasília, que se destaca pela concentração de tributos por ser a capital federal, e a região Norte aparece com apenas 3 municípios.
O IBPT cita polos industriais e comerciais que pesam na arrecadação, entre eles Jundiaí, Sorocaba, Caxias do Sul, Joinville, Itajaí, Porto Alegre, Curitiba, Osasco, Barueri e Campinas.
Impacto esperado da reforma tributária
Parte do ranking deve mudar com a implementação da reforma tributária, porque a proposta altera o critério de cobrança de tributos, migrando da origem para o destino do consumo.
Na visão do presidente do IBPT, “Isso não deve acontecer de forma imediata, mas a expectativa é que, com a mudança na tributação, os municípios que recebem as mercadorias passem a ter mais destaque na arrecadação”, diz Olenike.
Olenike acrescenta que, nesse cenário, “o Norte e o Nordeste atualmente compram mais produtos de outras regiões do que vendem e devem ver alguma mudança nesse ranking com a reforma tributária”, indicando um possível efeito de redução da concentração atual.
O levantamento do IBPT oferece, portanto, um retrato da arrecadação por município em 2024 e um termômetro sobre como mudanças nas regras fiscais podem redistribuir receitas entre municípios no futuro.