Mapa dos tributos: 100 municípios concentram 77,6% da arrecadação nacional, entenda o ranking da arrecadação municipal e possíveis efeitos da reforma tributária

Análise do IBPT mostra que 100 municípios detêm 77,6% da arrecadação, embora abriguem apenas 36,4% da população, e que a reforma tributária pode alterar esse mapa

Os dados revelam forte concentração da arrecadação municipal em centros industriais e comerciais, com impacto direto nas finanças locais.

A capital paulista se destaca no topo do ranking, seguida por Rio de Janeiro e Brasília, mas o cenário por habitante é diferente.

Os números e análises foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, conforme informação divulgada pelo g1.

Quem são os municípios que mais arrecadam

Os 100 municípios com maior arrecadação concentram 77,6% do total recolhido no país, embora abriguem pouco mais de um terço (36,4%) da população brasileira, segundo levantamento do IBPT. Esses municípios arrecadaram mais de R$ 1,9 trilhão no ano.

Veja os 10 municípios que mais arrecadaram em 2024, na lista divulgada pelo IBPT, com os valores exatamente informados: São Paulo (SP): R$ 581,2 bilhões, Rio de Janeiro (RJ): R$ 306,9 bilhões, Brasília (DF): R$ 180,1 bilhões, Belo Horizonte (MG): R$ 54,7 bilhões, Osasco (SP): R$ 50,2 bilhões, Curitiba (PR): R$ 44,5 bilhões, Barueri (SP): R$ 36,5 bilhões, Porto Alegre (RS): R$ 33,7 bilhões, Itajaí (SC): R$ 27,1 bilhões, Campinas (SP): R$ 26 bilhões.

Arrecadação per capita e polo industrial

Na comparação por pessoa, o destaque é Barueri (SP), que arrecadou R$ 110,4 mil por pessoa no ano. São Paulo, apesar de liderar o ranking geral, ficou na 12ª posição em arrecadação per capita, com R$ 48.854,61, abaixo de Itajaí, Osasco e Brasília.

O presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, explica que a forte concentração no Sul e no Sudeste se explica pela maior presença de atividades industriais e comerciais. Segundo ele, “Existem municípios que, mesmo com menor população, ainda registram uma arrecadação muito elevada por conta da concentração de indústrias, comércio e prestadores de serviços”.

O que muda com a reforma tributária

A pesquisa do IBPT aponta que parte do ranking pode mudar com a implementação da reforma tributária, porque a forma de cobrança dos tributos passará da origem para o destino, onde ocorre o consumo.

Olenike ressalta que “Isso não deve acontecer de forma imediata, mas a expectativa é que, com a mudança na tributação, os municípios que recebem as mercadorias passem a ter mais destaque na arrecadação”, citando como possível impacto positivo regiões do Norte e do Nordeste.

Distribuição regional e implicações

A distribuição dos 100 municípios por região é desigual, com predomínio do Sudeste e do Sul. A Região Sudeste concentra 53 municípios, sendo 36 em São Paulo, nove em Minas Gerais, quatro no Espírito Santo e quatro no Rio de Janeiro.

A Região Sul reúne 26 municípios, com Santa Catarina destacando-se com 12, seguida pelo Rio Grande do Sul com sete e o Paraná com sete. O Nordeste tem 12 municípios no ranking, enquanto o Centro-Oeste aparece com seis e o Norte com apenas três.

O levantamento do IBPT mostra, em resumo, que a arrecadação municipal no Brasil está concentrada em um número reduzido de cidades, que concentram grandes polos produtivos e comerciais, e que reformas nas regras de cobrança podem redistribuir parte dessa arrecadação ao longo do tempo.