María Corina Machado Desiste de Receber Nobel da Paz na Noruega; Família e Aliados Aguardam em Oslo

Ativista venezuelana María Corina Machado não comparece à cerimônia do Nobel da Paz, gerando incerteza e expectativa em Oslo

A aguardada cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, realizada nesta quarta-feira (10), não contará com a presença de María Corina Machado, a agraciada deste ano. A notícia, confirmada pela mídia estatal norueguesa NRK com base em fontes do Instituto Nobel, aumenta o mistério em torno da situação da líder opositora venezuelana.

A ausência de Machado já era uma forte possibilidade, uma vez que ela vive em **clandestinidade há mais de um ano** e não era vista na capital norueguesa na véspera do evento. O cancelamento de uma coletiva de imprensa previamente agendada intensificou as dúvidas sobre sua participação, deixando familiares, aliados políticos e até mesmo líderes internacionais em suspense.

A situação de María Corina Machado é complexa, pois ela está sob uma **proibição de viagens imposta pelas autoridades venezuelanas há uma década**. Em novembro, o procurador-geral da Venezuela chegou a afirmar que ela seria considerada “foragida” caso deixasse o país, evidenciando a pressão política que a ativista enfrenta.

Conforme informação divulgada pelo G1, dezenas de venezuelanos que vivem no exílio viajaram à capital norueguesa para acompanhar a opositora de 58 anos. Ela não aparece em público desde janeiro e vive escondida desde agosto de 2024, após as eleições presidenciais venezuelanas marcadas por denúncias de fraude.

Família e Aliados em Oslo na Espera de Notícias

Enquanto o paradeiro de María Corina Machado permanece um mistério, sua família e aliados políticos aguardam ansiosamente em Oslo. Sua mãe, Corina Parisca, suas irmãs e dois de seus três filhos estão na Noruega, mas afirmam não saber do paradeiro exato da premiada, mantendo a esperança em sua eventual chegada.

O opositor Edmundo González Urrutia, candidato às eleições de 2024, que vive exilado na Espanha, desembarcou na Noruega na terça-feira. Ele foi acompanhado pelo presidente argentino, Javier Milei, que também comparecerá à cerimônia. Outros líderes latino-americanos convidados incluem os presidentes do Panamá, Equador e Paraguai.

O Instituto Nobel e a Incerteza sobre a Presença da Vencedora

O Instituto Nobel havia confirmado anteriormente a presença de Machado para receber o prêmio, que consiste em uma medalha de ouro, um diploma e um valor em dinheiro de US$ 1,2 milhão. Erik Aasheim, porta-voz do Instituto Nobel, declarou que “María Corina Machado disse ela mesma o quanto tem sido difícil vir à Noruega” e que esperavam sua participação.

A comitiva em Oslo, incluindo familiares e apoiadores, demonstrava esperança, repetindo frases como “Se Deus quiser, assim será” enquanto aguardavam qualquer sinal da líder opositora. A expectativa é alta, mas a incerteza sobre sua presença adiciona um elemento de tensão ao evento.

Protestos e Apoio Internacional em Meio à Controvérsia

Em Oslo, grupos pacifistas e figuras da esquerda norueguesa realizaram protestos em frente ao Instituto Nobel, com cartazes pedindo “Não ao Prêmio Nobel da Paz para belicistas” e “EUA, tire as mãos da América Latina!”. Machado tem um histórico de apoio a operações militares dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico.

Em sua primeira declaração após ser anunciada como vencedora, Machado agradeceu o presidente dos EUA, Donald Trump, dedicando o prêmio ao sofrimento do povo venezuelano e ao apoio de Trump à sua causa. Esse posicionamento gerou reações diversas, inclusive em meio aos protestos realizados na Noruega.

Um Ano de Clandestinidade e Luta pela Democracia

María Corina Machado, engenheira de formação, entrou na clandestinidade após as eleições de julho de 2024, que resultaram na reeleição de Nicolás Maduro em meio a alegações de fraude. Impedida de concorrer, ela acusou Maduro de roubar a eleição de seu candidato, Edmundo González, apresentando cópias de votos como prova.

O governo venezuelano rejeitou as acusações, mas Estados Unidos, União Europeia e diversos países latino-americanos não reconheceram a reeleição de Maduro. Machado não é vista em público há 11 meses, desde um protesto em Caracas contra a posse de Maduro para um terceiro mandato. O Nobel foi anunciado em 10 de outubro, justificado por seu “incansável trabalho em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia”.