Maria Corina Machado: Nobel da Paz impulsiona atos globais por democracia na Venezuela antes de cerimônia em Oslo

Atos em mais de 80 cidades celebram María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, e reforçam luta por democracia na Venezuela

Manifestantes em diversas cidades do mundo saíram às ruas neste sábado (6) em apoio à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025. A organização da opositora informou que atos estavam programados em mais de 80 cidades globais.

O objetivo das mobilizações é celebrar o reconhecimento internacional e manter o foco na luta pela democracia na Venezuela. As ações ocorrem na véspera da cerimônia oficial de entrega do prêmio, que acontecerá em Oslo, na Noruega, na próxima quarta-feira (10).

María Corina Machado, que vive escondida no país desde janeiro de 2025, confirmou sua presença no evento. Segundo o Comitê Norueguês, a líder opositora, de 58 anos, comparecerá pessoalmente para receber a honraria. A informação foi divulgada pelo G1.

Machado celebra reconhecimento e pede serenidade em meio a desafios

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Machado expressou a importância do Nobel da Paz para a Venezuela. “Agora, todos esses anos de luta e a dignidade do povo venezuelano foram reconhecidos com o Prêmio Nobel da Paz”, afirmou a líder opositora, destacando que o momento testa a serenidade, a convicção e a organização de seus apoiadores.

O Comitê Norueguês do Nobel laureou María Corina Machado em 10 de outubro de 2025 “por seus esforços pacíficos e persistentes pela restauração da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”. O grupo a descreveu como “uma das vozes mais corajosas da América Latina” e “uma mulher que mantém viva a chama da democracia em meio à escuridão crescente”.

Tensões regionais marcam a jornada de Machado rumo a Oslo

As mobilizações acontecem em um contexto de elevada tensão política e militar na região. O governo de Donald Trump mantém um contingente militar no Caribe, o que o presidente Nicolás Maduro classifica como “ameaça direta à soberania venezuelana”.

Maduro acusa Washington de tentar promover uma mudança de regime, e o próprio prêmio concedido a Machado reforça essa percepção entre aliados do governo. Por outro lado, líderes da oposição argumentam que o Nobel deslegitima a reeleição de Maduro, considerada fraudulenta por observadores internacionais.

Viagem de alto risco e o futuro da oposição venezuelana

A viagem de Machado para Oslo é considerada de alto risco. O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, declarou que a opositora seria “foragida” caso deixasse o país. Detalhes sobre sua saída da Venezuela e o eventual retorno permanecem incertos.

María Corina Machado venceu as primárias da oposição e visava concorrer à Presidência em 2024, mas foi impedida de participar das eleições por decisão judicial. Após a eleição de julho de 2024, vencida por Maduro segundo o Conselho Nacional Eleitoral, o ex-diplomata Edmundo González, que a substituiu, buscou asilo na Espanha, e Machado entrou na clandestinidade.

Nobel da Paz: um símbolo de esperança e deslegitimação para Maduro

O prêmio é visto por analistas como um gesto que deslegitima a autoridade de Nicolás Maduro e aumenta a tensão com Washington. O governo Trump afirma que as manobras militares são “de caráter dissuasório”, mas não descarta ações “para proteger a população venezuelana”.

Em resposta, Maduro ordenou o fechamento da embaixada da Venezuela em Oslo, chamando o reconhecimento de “ato de provocação política”. Enquanto isso, apoiadores de María Corina Machado celebram o Nobel como um símbolo de esperança. “Ela é o rosto da resistência democrática na América Latina”, declarou a organização Súmate em nota.