MBEDV e a baliza na prova prática da CNH: entenda por que o exame muda, quais estados já dispensaram a baliza e o que especialistas dizem sobre a nova avaliação

O novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, MBEDV, redefine a prova prática da CNH, retirando a baliza como etapa obrigatória e priorizando avaliação em via pública

O governo federal lançou o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, o MBEDV, que traz mudanças na forma como é feita a prova prática da CNH.

A principal alteração é que a baliza deixou de ser uma etapa obrigatória da prova prática, e a avaliação passará a observar o trânsito real.

Nos parágrafos seguintes explicamos o que muda, em quais estados a baliza já não é exigida e os argumentos de especialistas, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda com o MBEDV

Segundo a Senatran, o documento está mais alinhado à realidade do trânsito brasileiro, e a prova prática deixa de focar em uma manobra isolada.

A avaliação, nos termos do manual, “avaliação deixa de ser sobre uma manobra específica, feita em um espaço à parte e pouco representativa do dia a dia, e passa a observar o condutor em situação real de tráfego“.

Sobre a baliza, a Senatran explica que “O que permanece [sobre a avaliação da baliza] é a finalização do percurso, momento em que o candidato deverá estacionar o veículo“, ou seja, o estacionamento continua sendo verificado, porém dentro do contexto do trajeto.

Quais estados já dispensaram a baliza

O g1 apurou que a mudança já foi adotada por diversos estados, e a lista inclui São Paulo, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, e Sergipe, que derrubou a obrigatoriedade na sexta-feira, 30.

O texto informa que o Distrito Federal deixou de aplicar o teste em 2004, e que “no estado de Mato Grosso a baliza deixou de ser obrigatória em janeiro, mas a mudança ocorre de forma gradual até 10 de fevereiro”.

Além disso, Detrans do Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina informaram ao g1 que aguardavam a publicação do manual antes de realizar qualquer ajuste.

Benefícios alegados pela Senatran e dados sobre veículos

A Senatran afirma que um trajeto em via pública permite avaliar atenção, leitura do ambiente, respeito às regras, interação com outros veículos, pedestres e ciclistas, além do controle emocional.

Conforme o órgão, “O foco deixa de ser a memorização de movimentos e passa a ser o comportamento ao volante, que é o que efetivamente impacta a segurança no trânsito“.

Outra mudança prática, adotada pelo Detran de São Paulo, foi permitir que candidatos usem veículos automáticos na prova, medida que, segundo o Detran, “reconhece a crescente presença desse tipo de veículo na frota brasileira e amplia as possibilidades para os candidatos, respeitando os critérios técnicos já adotados nos exames“.

O Inmetro, pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, indica que “apenas 121 dos 769 modelos e versões de carros vendidos no Brasil têm câmbio manual“. Esse total “representa 15,7% de todos os veículos, importados ou fabricados no país, comercializados no Brasil“, o que pesa na discussão sobre permitir automáticos nos exames.

Especialistas divididos sobre o fim da baliza

A mudança dividiu opiniões entre especialistas consultados pelo g1. A advogada especializada em direito de trânsito Laura Diniz alerta para riscos práticos.

Laura afirma, “Estacionar corretamente é uma situação cotidiana para qualquer motorista e, muitas vezes, um fator determinante para a fluidez e a segurança do tráfego. Ao retirar essa etapa do exame, corre-se o risco de habilitar condutores que ainda não possuem domínio suficiente do veículo“.

Ela acrescenta, “melhoras no processo de habilitação são favoráveis, mas a retirada de etapas essenciais sem que haja uma compensação efetiva na formação prática do condutor pode ser prejudicial a longo prazo“.

Por outro lado, a psicóloga especialista em trânsito Cecília Bellina disse que não é contra ou a favor da retirada, mas demonstrou preocupação com mudanças simultâneas no processo, “Eu não sou nem contra nem a favor da retirada da baliza. Sou contra mais uma mudança radical sem esperar o resultado da primeira, ocorrida há menos de dois meses“.

Bellina falou também sobre outras alterações que preocupam, como a redução das aulas práticas e o fim da obrigatoriedade da autoescola, pontos que podem impactar a formação do condutor.

O que esperar na prática

Na prática, candidatos devem se preparar para uma prova que mira o comportamento em situação de trânsito, com foco em observação, interações e regras, e menos em exercícios memorizados.

Estados e Detrans poderão ajustar cronogramas e procedimentos conforme a publicação do MBEDV, e a adoção de carros automáticos nas provas tende a crescer, diante da baixa oferta de modelos manuais no mercado.

Fique atento às orientações do Detran do seu estado, e acompanhe as publicações oficiais para saber quando as novas regras passam a valer em cada unidade federativa.