quinta-feira, junho 4, 2026

Mercado de trabalho europeu freia contratações, preocupa com cortes na Alemanha, desemprego em alta e risco da IA para milhões de empregos

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Queda nas vagas, ‘Grande Hesitação’ entre trabalhadores, BCE prevê crescimento a 0,6% e estudos apontam até 1,6 milhão de empregos na Alemanha remodelados ou perdidos por IA até 2040

O mercado de trabalho europeu mostra sinais claros de arrefecimento, com menos contratações em vários setores e maior cautela de empresas e trabalhadores, mesmo depois do movimento conhecido como “Grande Demissão”.

Esse recuo combina fraco desempenho industrial, desaceleração salarial e preocupações com a automação por inteligência artificial, fatores que têm mudado expectativas e planos profissionais em toda a região.

Os dados e análises que seguem foram reunidos a partir das informações publicadas pelo g1, com base em reportagens da Deutsche Welle e estudos citados na cobertura, conforme informação divulgada pelo g1.

Da “Grande Demissão” para a “Grande Hesitação”

Durante e após a pandemia, muitos trabalhadores ganharam poder de negociação, impulsionando uma onda de saídas voluntárias que ficou conhecida como “Grande Demissão”, e levando a um aumento da demanda por talentos.

Hoje, porém, esse cenário mudou, em parte porque o setor industrial europeu está sob pressão, e a palavra que descreve o momento atual é “Grande Hesitação”, quando empresas pensam duas vezes antes de contratar e trabalhadores têm menos disposição para trocar de emprego.

Angelika Reich, consultora de liderança, disse que o mercado de trabalho “esfriou” e que “menos vagas de emprego e um clima econômico mais difícil naturalmente tornam os funcionários mais cautelosos em relação a mudar de emprego”.

Dados e projeções, onde a desaceleração mais pesa

O Banco Central Europeu, segundo a reportagem, projeta que o mercado de trabalho da zona do euro deve crescer a 0,6% em 2026, contra 0,7% em 2025.

Embora a diferença pareça pequena, cada variação de 0,1 ponto percentual representa em torno de 163 mil novos empregos a menos criados, e há apenas três anos a zona do euro chegou a criar cerca de 2,76 milhões de novos empregos, quando crescia a 1,7%.

O enfraquecimento já aparece em números locais, por exemplo na Alemanha, onde “mais de uma em cada três empresas planeja cortar empregos este ano“, segundo o think tank econômico IW, com sede em Colônia.

O Banco da França projeta que o desemprego no país pode subir para 7,8%, e no Reino Unido dois terços dos economistas ouvidos pelo jornal The Times acreditam que a taxa pode chegar a 5,5%, ante os atuais 5,1%. Na Polônia o desemprego subiu para 5,6% em novembro, de 5% um ano antes.

Setores industriais sofreram perdas significativas, com fabricantes alemães eliminando mais de 120 mil postos de trabalho, cita a reportagem, enquanto o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria da zona do euro caiu para 48,8 em dezembro, a leitura mais baixa em nove meses.

Inteligência artificial, medo e transformação

A adoção de IA na Europa tem sido mais lenta do que nos Estados Unidos e na China, mas isso não eliminou o receio entre os trabalhadores de que funções possam ser substituídas por automação.

Um estudo da EY, citado pela reportagem, apontou que um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco, e que 74% acreditam que as empresas precisarão de um quadro de funcionários menor por causa da tecnologia.

O Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), de Nuremberg, projetou que 1,6 milhão de empregos somente na Alemanha poderiam ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040, e a Agência Federal do Trabalho espera que cargos altamente qualificados sejam desproporcionalmente afetados, embora o setor de tecnologia possa criar cerca de 110 mil novos empregos.

Enzo Webe, do IAB, afirmou que a IA trará uma “transformação” do mercado de trabalho, mas não necessariamente uma oferta menor de trabalho, enquanto John Springford avalia que “muitas tarefas árduas podem ser transferidas para a IA para liberar mão de obra humana”.

Onde ainda há vagas e quais são os riscos para o futuro

Apesar do quadro mais cauteloso, nem tudo é recessão de emprego, e alguns países e setores seguem com demanda por trabalhadores. Espanha, Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia devem ter crescimento do emprego, segundo o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional.

Especialistas citados pela reportagem afirmam que as carências se tornaram mais específicas, persistindo em áreas como varejo, saúde, logística, engenharia e funções altamente especializadas, e que manchetes sobre cortes na indústria afetam a reputação de setores tradicionais, afastando recém-formados.

Anthony Klotz, que cunhou o termo “A Grande Demissão”, argumenta que choques, como o avanço da IA, podem funcionar como catalisadores que levam trabalhadores a agir preventivamente, buscando preparo e planos alternativos, em um fenômeno chamado career cushioning, quando profissionais montam um plano B diante da instabilidade.

O impacto completo dessas tendências dependerá de políticas públicas, investimentos em requalificação e da capacidade das empresas europeias de adotar tecnologia de forma responsável, mantendo oportunidades de trabalho em setores que se transformam.

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