Ministério da Fazenda prevê crescimento do PIB de 2,3% em 2026, nova queda da inflação para 3,6% e estabilidade do ritmo econômico apesar da Selic a 15%

Governo mantém expectativa de expansão estável entre 2025 e 2026, prevê redução da inflação e destaca mudanças por setor, conforme Boletim Macrofiscal

O Ministério da Fazenda revisou suas projeções e agora estima crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB, de 2,3% em 2026, mantendo o mesmo ritmo previsto para 2025.

Ao mesmo tempo, o governo projeta nova queda da inflação oficial, o IPCA, para 3,6% neste ano, frente a 4,26% registrado em 2025.

As informações constam no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica, divulgado nesta sexta-feira (6), conforme informação divulgada pelo g1.

Projeções do PIB e comparação com o mercado

A previsão da Fazenda para o crescimento do PIB de 2025 subiu de 2,2% para 2,3% em relação à estimativa de novembro, e a projeção para 2026 foi ajustada de 2,4% para 2,3%.

O mercado financeiro, por sua vez, trabalha com números ligeiramente diferentes, projetando alta de 2,27% para 2025 e 1,80% para 2026.

Se confirmada a estimativa de 2,3% para 2025, haverá desaceleração em relação a 2024, quando a economia avançou 3,4%, e será a menor taxa desde 2020, ano da retração de 3,3%.

Setores da economia e influência das taxas de juros

Segundo a Secretaria de Política Econômica, “Por setor produtivo, espera-se desaceleração da agropecuária, compensada por maior expansão da indústria e dos serviços“.

A avaliação ocorre em um contexto de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em 20 anos, fator que costuma frear investimentos e consumo.

Apesar desse cenário de juros altos, a Fazenda não projeta desaceleração adicional do ritmo de crescimento neste ano, segundo o boletim.

Inflação: queda projetada e fatores explicativos

O governo mantém a estimativa do IPCA em 3,6% para este ano, a mesma projeção divulgada em novembro, enquanto o mercado prevê 3,99%.

Em 2025, a inflação acumulou 4,26%, e a expectativa oficial é de queda para 2026, refletindo, entre outros fatores, oferta de bens e a política monetária.

Na avaliação da Secretaria, “A inflação de bens industriais e serviços deve continuar a cair, repercutindo o excesso de oferta de bens e os efeitos defasados do enfraquecimento do dólar e da política monetária [alta de juros]“.

O que muda para 2026 e implicações

A manutenção da projeção de 2,3% para 2026 reduz a diferença entre expectativas oficiais e as do mercado, mas deixa sinais de fragilidade no ritmo de expansão para os próximos anos.

Ano de eleição, 2026 terá debates sobre política econômica, e a Fazenda destaca variações setoriais que podem influenciar emprego, renda e investimentos.

Na prática, empresas e consumidores devem acompanhar inflação, câmbio e juros, que ainda moldam o quadro macroeconômico, enquanto analistas ajustam cenários conforme novos dados divulgados.