Moncler aposta no Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 com foco em narrativa, identidade e reposicionamento da linha Grenoble, sem seguir apenas a lógica das medalhas
Moncler escolheu patrocinar atletas brasileiros para os Jogos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, em uma decisão que mistura branding, herança e performance.
A aposta inclui o patrocínio ao atleta de dupla origem Lucas Pinheiro Braathen e o fornecimento dos uniformes oficiais da equipe brasileira, com referências sutis à bandeira.
Especialistas ouvidos apontam que a estratégia privilegia história e autenticidade, mais do que a busca por pódios imediatos, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a marca deixou as potências do gelo de lado
A decisão da Moncler foge ao padrão de investir nas delegações tradicionais, e está ligada ao reposicionamento da linha Grenoble, voltada à alta performance e ao universo da montanha.
Segundo a cobertura, Braathen reúne elementos raros, ele tem conexão com o Brasil, desempenho internacional, e personalidade que gera narrativa, atributos valorizados por marcas de luxo.
O atleta e a narrativa que interessa à Moncler
Lucas Pinheiro Braathen nasceu na Noruega, tem mãe brasileira, passou parte da infância no Brasil e fala português, o que reforça a ligação cultural buscada pela grife.
Sobre o valor simbólico da escolha, Victor Dellorto afirmou, “A história de Lucas é, por si só, um ativo estratégico. Ele combina performance real com uma narrativa cultural potente, algo que marcas de luxo buscam cada vez mais”.
No campo esportivo, “Hoje, Braathen ocupa a vice-liderança do ranking da Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante”, posição que aumenta a atratividade da parceria.
Riscos, custo-benefício e retorno de imagem
Especialistas lembram que o Brasil não tem tradição em esportes de inverno, o que reduz a garantia de exposição por pódios, e pode limitar transmissões e visibilidade imediata.
Marcos Henrique Bedendo destacou o aspecto pragmático, “Talvez não exista um aceno ao Brasil. A Moncler pode ter identificado uma oportunidade rara: um atleta competitivo, com potencial de medalha, disponível em uma delegação menos disputada por patrocinadores”.
Ao mesmo tempo, Dellorto observa que a aposta rende benefícios mesmo sem medalha, “Mesmo que o resultado não venha, a Moncler já ganha por demonstrar sensibilidade cultural e proximidade com o público brasileiro”.
Uniformes, identidade e presença no mercado brasileiro
A Moncler assina os macacões técnicos e os trajes da delegação brasileira, com detalhes que remetem à bandeira, como estrelas incorporadas ao design, reforçando a ideia de autenticidade.
Além do impacto global, a ação também mira o mercado interno, considerado estratégico por seu tamanho e crescimento no consumo premium, e pode gerar relacionamento de longo prazo.
Ao apostar em uma narrativa improvável, multicultural e fora do eixo tradicional, a Moncler busca diferenciar a linha Grenoble em um cenário em que muitas marcas disputam os mesmos territórios, trocando parte da previsibilidade por potencial simbólico e comercial.