Moncler aposta no Brasil para os Jogos Olímpicos de Inverno 2026, patrocina Lucas Braathen e assina uniformes, aposta em narrativa e alta performance
Moncler escolhe associar a linha Grenoble ao Brasil nos Jogos de Inverno de 2026, valorizando narrativa, identidade e performance em vez de seguir potências consagradas
A Moncler, marca de luxo italiana, decidiu patrocinar a delegação do Brasil para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, em uma escolha que foge ao padrão de apoiar as potências do gelo.
A estratégia combina reposicionamento da linha de alta performance Grenoble com a narrativa singular do atleta escolhido, em um movimento que une moda e esporte.
O foco não é apenas medalhas, é construir conexão cultural e memória de marca em mercados estratégicos para o luxo.
conforme informação divulgada pelo G1.
Por que a Moncler optou pelo Brasil e por Lucas Braathen
A aposta tem como núcleo o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, nascido na Noruega, filho de mãe brasileira, que voltou às pistas representando o Brasil após uma aposentadoria precoce.
Segundo a cobertura, Braathen “passou parte da infância no Brasil, fala português, tem familiares por aqui e costuma citar a cultura brasileira como parte essencial de sua identidade”, elementos que tornam sua trajetória atraente para a marca.
Além disso, “Hoje, Braathen ocupa a vice-liderança do ranking da Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante”, dados que reforçam o componente de performance da escolha.
Estratégia de marca, herança Grenoble e diferenciação
A Moncler Grenoble é a linha voltada à montanha e à alta performance, nome que remete à edição de 1968 dos Jogos de Inverno, a última em que a grife esteve associada diretamente ao evento.
Ao resgatar essa herança, a empresa busca reconectar passado e futuro, e, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, reforçar sua identidade no universo da alta performance.
Victor Dellorto afirma que “A história de Lucas é, por si só, um ativo estratégico. Ele combina performance real com uma narrativa cultural potente, algo que marcas de luxo buscam cada vez mais”.
Riscos, custo e retorno da aposta em uma delegação não tradicional
Especialistas apontam riscos, como menor visibilidade imediata em comparação a patrocínios a seleções já estabelecidas no pódio, e a incerteza dos resultados esportivos.
Marcos Henrique Bedendo observa que “Talvez não exista um aceno ao Brasil. A Moncler pode ter identificado uma oportunidade rara: um atleta competitivo, com potencial de medalha, disponível em uma delegação menos disputada por patrocinadores”.
Para Bedendo, “Patrocinar seleções tradicionais é caro e disputado. Ao apostar no Brasil, a marca pode ter conquistado exposição global e o direito de assinar um uniforme olímpico com investimento menor”, o que altera a relação entre custo e benefício.
Impacto para o mercado de luxo e para o esporte brasileiro
A escolha reforça uma tendência no mercado de luxo, de valorizar histórias autênticas e identificar ativos simbólicos além das medalhas, buscando vínculo com públicos locais e narrativas multiculturais.
Se Braathen subir ao pódio, o efeito será ampliado, conforme a análise de especialistas, o que pode transformar a aposta em um caso de sucesso com retorno de imagem e comercial no longo prazo.
Mesmo sem pódio, a Moncler já conquistou visibilidade ao assinar os uniformes da equipe brasileira e ao construir uma narrativa que mistura moda, performance e identidade cultural.
Ao optar pelo Brasil e por uma trajetória fora do eixo tradicional, a Moncler coloca em evidência a capacidade das marcas de luxo de criar significado, em vez de apenas buscar medalhas, e de explorar oportunidades narrativas pouco disputadas no ambiente olímpico.