Moncler patrocina Brasil nas Olimpíadas de Inverno 2026, aposta em Lucas Braathen e reposiciona linha Grenoble com narrativa cultural e alta performance

Moncler patrocina Brasil Olimpíadas de Inverno 2026, opta por identidade e storytelling em vez de seguir potências do gelo, e assina uniformes com referências nacionais

A Moncler escolheu patrocinar a equipe do Brasil para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 em Milão-Cortina, em uma decisão que foge da lógica de apoiar apenas as potências tradicionais do gelo.

A aposta combina a visibilidade global do evento com uma narrativa de identidade, representada pelo esquiador Lucas Pinheiro Braathen e pela linha de alta performance Moncler Grenoble.

A estratégia privilegia storytelling, autenticidade e diferenciação no mercado de luxo, em vez de buscar apenas medalhas e pódios, criando uma conexão mais direta com o público brasileiro.

conforme informação divulgada pelo g1

Por que a Moncler escolheu o Brasil, e o que a Grenoble representa

A decisão da Moncler é parte de um reposicionamento da marca no universo da alta performance, com ênfase na linha Grenoble, dedicada ao esporte e à montanha.

Segundo a reportagem, Grenoble foi a cidade que sediou os Jogos de Inverno de 1968, a última edição em que a Moncler esteve associada diretamente ao evento, e ao resgatar essa herança a marca busca reconectar passado e futuro.

Além disso, a escolha reforça um movimento no mercado de luxo, que valoriza histórias autênticas e narrativas culturais, em vez de apostar apenas em delegações com histórico de medalhas.

O atleta no centro da estratégia, Lucas Braathen

O nome que simboliza a opção da Moncler é Lucas Pinheiro Braathen, nascido na Noruega, filho de mãe brasileira, que vive conexão com o país desde a infância e fala português.

Braathen, que anunciou uma aposentadoria precoce em 2023 e voltou às competições representando o Brasil, ocupa a vice-liderança do ranking da Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante, provas que disputará em Milão-Cortina entre 14 e 16 de fevereiro.

Essa trajetória multicultural e de reinvenção, conforme a apuração, foi determinante na aproximação com a Moncler, pois combina desempenho esportivo real com uma narrativa cultural potente.

O vínculo de Braathen com a marca inclui patrocínio da Moncler Grenoble e a possibilidade histórica de conquistar a primeira medalha olímpica de inverno do Brasil.

O raciocínio por trás da aposta, impactos e riscos

Especialistas citados na matéria explicam que a escolha não é puramente ideológica, e sim uma combinação entre narrativa e pragmatismo de mercado.

Para Victor Dellorto, CEO da Deskfy, “A história de Lucas é, por si só, um ativo estratégico. Ele combina performance real com uma narrativa cultural potente, algo que marcas de luxo buscam cada vez mais”.

Dellorto também observa que “Hoje, as marcas não disputam apenas medalhas, mas significado”, destacando que narrativas autênticas geram vínculo, diferenciação e memória de marca.

Por outro lado, Marcos Henrique Bedendo, especialista em branding, lembra que “Talvez não exista um aceno ao Brasil. A Moncler pode ter identificado uma oportunidade rara: um atleta competitivo, com potencial de medalha, disponível em uma delegação menos disputada por patrocinadores”.

Bedendo acrescenta que “Patrocinar seleções tradicionais é caro e disputado. Ao apostar no Brasil, a marca pode ter conquistado exposição global e o direito de assinar um uniforme olímpico com investimento menor”.

Entre os riscos, está o fato de o Brasil não ter tradição em esportes de inverno, o que pode limitar a visibilidade caso não haja pódios, mas a Moncler também ganha ao demonstrar sensibilidade cultural e proximidade com o público brasileiro.

Uniformes, identidade e possíveis ganhos a longo prazo

A Moncler assinou os uniformes da equipe brasileira, que trazem referências sutis à identidade nacional, como estrelas inspiradas na bandeira incorporadas ao design técnico dos macacões usados nas provas.

Mesmo sem medalha, a marca amplia presença e conversa com um mercado estratégico, grande e em expansão, fortalecendo laços com consumidores premium ainda pouco explorados.

No cenário observado, a aposta da Moncler mostra uma mudança no branding esportivo, onde as marcas buscam histórias capazes de gerar identificação, conversas e lembrança, além de retornos imediatos por pódios.

Se Braathen conquistar medalha, o impacto será histórico para o Brasil e amplificará a estratégia da Moncler, mas mesmo sem pódio, a marca já ocupa um espaço singular por ter escolhido uma narrativa diferente.

Ao optar por autenticidade, identidade e alta performance, a Moncler busca um diferencial em um ambiente em que muitas marcas seguem rotas previsíveis.