Morte de Alex Pretti em ação migratória nos EUA levanta dúvidas, vídeos e depoimentos contestam versão do DHS e reabrem debate sobre uso da força do ICE

Análises do The New York Times e da Reuters indicam que Alex Pretti, 37 anos, segurava um celular enquanto filmava a ação, foi imobilizado e baleado, segundo testemunhas

A morte de um homem durante uma operação de imigração em Minneapolis reacendeu protestos e aumentou a pressão sobre autoridades federais nos Estados Unidos.

Vídeos gravados por testemunhas e depoimentos reunidos por veículos de imprensa colocam em dúvida a versão oficial apresentada pelo Departamento de Segurança Interna, DHS.

Conforme informação divulgada pelo g1, os registros e relatos passaram a ser usados em processo judicial que questiona táticas do ICE e de agentes federais.

O que mostram os vídeos

As imagens analisadas pelo The New York Times mostram que a vítima, que tinha 37 anos, segurava um celular, e em determinado momento se posicionou entre um agente e uma mulher atingida com spray de pimenta.

Segundo a reportagem, as imagens não mostram qualquer momento em que a vítima saque a arma ou ameace os agentes, e não mostram que os oficiais soubessem naquele instante que ele estaria armado.

O material também indica que, após ser derrubado e imobilizado, um agente aparenta retirar uma arma e afastar‑se do local, enquanto outros permanecem sobre a vítima, e em seguida é ouvido um disparo à queima‑roupa.

Depoimentos que contradizem a versão oficial

Dois depoimentos prestados sob juramento e obtidos pelo The New York Times reforçam as dúvidas sobre a narrativa do DHS.

Um dos relatos, de um médico que acompanhou parte da ação de seu apartamento, diz que desceu para prestar socorro, não encontrou pulso e iniciou manobras de reanimação cardiopulmonar.

Uma testemunha identificada como artista infantil afirmou, segundo o jornal, que a vítima se aproximou apenas com um câmera ou celular, com a intenção de registrar a ação e ajudar uma mulher que havia caído.

Em palavras citadas pelo NYT, a testemunha disse, “O homem não se aproximou com uma arma. Ele se aproximou com uma câmera”.

Versão do governo e críticas

Autoridades do governo afirmaram inicialmente que a vítima estaria armada, teria sacado a arma e colocado os agentes em risco, justificando o disparo como legítima defesa.

Integrantes do governo chegaram a associar o caso a atos de “terrorismo doméstico”, segundo relatos públicos mencionados nas matérias.

Em contraste, a análise da Reuters aponta que um agente teria disparado quatro vezes em rápida sucessão contra as costas de Pretti, seguidas de novos disparos, informação que aumenta o questionamento sobre a necessidade e proporcionalidade do uso da força.

Processo, reações e contexto

Os depoimentos foram anexados a uma ação judicial movida com apoio da American Civil Liberties Union, ACLU, de Minnesota, que acusa agentes federais de violarem direitos de manifestantes em operações recentes.

No início do mês, um juiz federal impôs restrições à atuação desses agentes, limitando táticas consideradas agressivas contra manifestantes, medida que foi temporariamente suspensa por um tribunal de apelação após recurso do governo.

Advogados dos manifestantes protocolaram novo pedido de urgência para que as restrições voltem a valer, alegando que os acontecimentos recentes reforçam a necessidade de limites à atuação federal.

Quem era a vítima

Familiares e vizinhos descreveram a vítima como uma pessoa tranquila, solidária e engajada em causas sociais.

Conforme relatos publicados, Pretti era cidadão americano, enfermeiro de UTI e trabalhava em um hospital vinculado ao Departamento de Assuntos de Veteranos, e participava de protestos contra a política migratória do presidente Donald Trump.

O caso segue sob investigação e tem alimentado um debate mais amplo sobre táticas de aplicação da lei em protestos, a transparência de operações federais e a responsabilização de agentes do ICE e do DHS.