Leia a declaração traduzida de Donald Trump sobre a morte de Ali Khamenei, os números de vítimas, os alvos atingidos no ataque conjunto de EUA e Israel e as reações que podem levar a nova escalada no Oriente Médio
A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, por ação conjunta atribuída a Estados Unidos e Israel provocou uma série de ataques e contra-ataques que aumentam o risco de conflito regional.
Segundo relatos divulgados pela imprensa iraniana, a ofensiva deixou centenas de mortos e feridos, e cidades iranianas sofreram danos em pontos estratégicos. A população e governos da região acompanham com apreensão a evolução dos acontecimentos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma declaração em que comemora a operação e convoca integrantes das forças iranianas a se renderem, prometendo imunidade a quem colaborar, conforme informação divulgada pelo g1.
Declaração de Trump e retórica após a operação
Na publicação traduzida para o português, Trump afirmou o seguinte sobre a morte de Ali Khamenei, texto divulgado pelo próprio presidente e reproduzido pelas agências,
“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários. Ele não conseguiu escapar de nossos sistemas de inteligência e de rastreamento altamente sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes mortos junto com ele, pudessem fazer.
Este é o maior momento para o povo iraniano retomar o próprio país. Estamos ouvindo que muitos integrantes da Guarda Revolucionária (IRGC), das Forças Armadas e de outras forças de segurança e polícia já não querem lutar e estão buscando imunidade de nossa parte. Como eu disse ontem à noite: ‘Agora eles podem ter imunidade, depois, terão apenas a morte!’
Esperamos que a Guarda Revolucionária e a polícia se unam pacificamente aos patriotas iranianos e trabalhem juntos para devolver ao país a grandeza que merece. Esse processo deve começar em breve, já que não apenas Khamenei morreu, mas o país foi, em apenas um dia, amplamente destruído e até mesmo arrasado.
Os bombardeios intensos e precisos, no entanto, continuarão sem interrupção ao longo da semana ou pelo tempo que for necessário para alcançar nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”
O ataque conjunto e números de vítimas
Relatos da imprensa iraniana, com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho, apontam que a ação militar deixou 201 mortos e 747 feridos em todo o país. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades, como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.
A cobertura estatal também informou que 85 pessoas morreram em uma escola de meninas</b no sul do Irã, e outras vítimas ocorreram em ginásios e residências atingidas pelos ataques. Agências internacionais relataram ainda que comandantes da Guarda Revolucionária e oficiais ligados ao programa nuclear foram alvos, segundo declarações de autoridades israelenses.
Fontes militares dos Estados Unidos afirmaram que nenhum militar americano ficou ferido durante a operação, e que danos às bases americanas na região após a retaliação iraniana foram mínimos, segundo comunicados oficiais citados pela imprensa.
Quem era Ali Khamenei e seu papel no Irã
Ali Khamenei nasceu em 1939 em Mashhad, cidade sagrada para os xiitas, e liderou o Irã desde 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini. Como líder supremo, concentrou poderes religiosos e políticos, podendo anular decisões presidenciais e demitir autoridades sem necessidade do parlamento.
Ao longo de quase quatro décadas, Khamenei manteve uma postura antiocidental, apoiou grupos como Hezbollah e Hamas e usou mecanismos do Estado para reprimir dissidência interna, incluindo protestos da Onda Verde em 2009 e as manifestações de 2022 obrigadas pela morte de Mahsa Amini.
Nos últimos anos, sua popularidade caiu devido à crise econômica, inflação e desemprego, fatores que alimentaram ondas de protestos e insatisfação social, segundo dados e relatos compilados pela reportagem do g1.
Retaliação iraniana e impacto regional
Em resposta aos ataques, o Irã lançou mísseis e drones contra territórios israelenses e atingiu bases americanas em países da região, provocando sirenes e ativação de sistemas de defesa antimísseis no Oriente Médio. Países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Catar registraram explosões e interceptações.
Autoridades dos Emirados afirmaram ter interceptado mísseis, e governos regionais relataram perdas e danos materiais, além de vítimas em alguns ataques. O Estreito de Ormuz foi fechado temporariamente por motivos de segurança, segundo agência estatal iraniana.
No pronunciamento de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense pediu diretamente à população iraniana para se levantar contra o regime, dizendo, em tradução, “Não percam a oportunidade, esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração”, e acrescentando, em inglês, que “a ajuda chegou”, comentário já evocando apoio americano aos manifestantes.
O que muda daqui para frente
A morte de Khamenei e a sequência de ataques e contra-ataques ampliam a incerteza no Oriente Médio, com potencial para novas ofensivas, fechamento de rotas estratégicas de petróleo e impacto nos mercados internacionais.
Analistas alertam para o risco de fragmentação interna no Irã, pressões sobre a Guarda Revolucionária e aumento das tensões entre aliados regionais. Ao mesmo tempo, a retórica de líderes estrangeiros e a promessa de “imunidade” para desertores podem inflamar conflitos internos, ou provocar represálias mais amplas.
As informações desta reportagem foram compiladas com base em relatos e dados divulgados pelo g1, incluindo números de vítimas e trechos de declarações oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.