Mulher dá à luz em rodovia nos EUA após ter atendimento negado em hospital; vídeo choca
Parto de emergência em rodovia nos EUA após hospital negar atendimento levanta sérias questões de racismo e disparidades na saúde.
Um incidente chocante ocorreu em Indiana, nos Estados Unidos, onde uma mulher foi forçada a dar à luz no carro, em plena rodovia, após ter seu atendimento negado em um hospital. O caso de Mercedes Wells, que estava em trabalho de parto ativo, reacendeu o debate sobre o tratamento de mulheres negras no sistema de saúde americano.
A experiência traumática de Mercedes, que deu à luz seu quarto filho no dia 16 de novembro, expõe as falhas e preconceitos que ainda persistem. Ela relata que a enfermeira não acreditou em sua condição, mesmo com contrações frequentes e intensas, resultando na sua saída do hospital.
O marido de Mercedes, Leon Wells, expressou sua frustração e incredulidade diante do ocorrido, questionando por que tais situações ainda acontecem em pleno século XXI. A história de Mercedes Wells não é isolada e reflete dados alarmantes sobre a mortalidade materna entre mulheres negras no país. Conforme informação divulgada pelo g1, o hospital envolvido já demitiu os profissionais e anunciou treinamentos obrigatórios em competência cultural para a equipe de obstetrícia.
O pesadelo no caminho para o hospital
Mercedes Wells procurou o Hospital Franciscan Health Crown Point em trabalho de parto, mas, segundo seu relato, foi instruída a ir embora e retornar mais tarde. Sua mãe, Sana Strickland, registrou o momento em vídeo, onde é possível ouvir a angústia: “Minha filha está sendo expulsa deste hospital, e ela está em trabalho de parto ativo”.
Mercedes descreveu a experiência como um “pesadelo”, afirmando que a enfermeira “realmente não a ouviu”. A falta de reconhecimento de sua condição médica levou a um desfecho inesperado e perigoso.
Parto no carro e a luta pela sobrevivência
Após ser dispensada, Mercedes e seu marido embarcaram em busca de outro hospital. No entanto, o trabalho de parto progrediu rapidamente, e a pequena Alena nasceu no carro, em plena rodovia. Felizmente, tanto mãe quanto filha sobreviveram e receberam os cuidados necessários no Munster Community Hospital.
Estatísticas alarmantes de racismo na saúde materna
A experiência de Mercedes Wells não é um caso isolado. Dados obtidos pela DW revelam que mulheres negras nos Estados Unidos enfrentam disparidades significativas na saúde materna. Em 2022 e 2023, a taxa de mortalidade materna entre mulheres negras foi de aproximadamente 50 para cada 100 mil nascidos vivos, enquanto para mulheres brancas, a média foi de 17. Isso significa que mulheres negras têm **três vezes mais chances de morrer durante o parto** do que mulheres brancas.
Posição do hospital e próximos passos
Em resposta ao incidente, o Hospital Franciscan Health Crown Point informou que a enfermeira e o médico envolvidos no caso foram **demitidos**. A instituição também declarou que pretende tornar o “treinamento em competência cultural” **obrigatório** para toda a equipe de obstetrícia. “Eu não podia imaginar isso acontecendo, mas aconteceu comigo. Aconteceu conosco”, lamentou Mercedes Wells, destacando o impacto profundo da experiência em sua vida.